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Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Por Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Pesquisador e poeta

Andrew Tassinari, vencedor do Açorianos, difunde sua arte em São Paulo

Publicado: 18/06/2021 às 10:33 | Fonte: Catullo Fernandes


O ator e bailarino Andrew Tassinari, que integra diversas companhias teatrais e de dança na capital gaúcha, no ano de 2017, entrou para a história da arte da Região da Costa Doce ao se tornar o primeiro camaquense a receber uma das mais importantes distinções artísticas do RS - o Prêmio Açorianos, laureado na categoria Melhor Ator. 

Na época, já morando em São Paulo, impossibilitado de ir receber o prêmio, ele escreveu em seu perfil no facebook, fiel ao seu estilo irreverente: “Comemorando com muito glamour meu Prêmio Açorianos de Teatro categoria Melhor Ator, e pelo “Prata Paraíso” por Melhor Espetáculo... comendo pão com mortadela e bebendo refri kuat, sentado na Praça Roosevelt, em Sampa...” Na entrega da premiação ele foi representado pela irmã Keterine Nunes Hübner, servidora da Secretaria da Educação de Camaquã. 

Esta semana ele voltou ao palco do Teatro Renascença, onde há quatro anos ocorreu a entrega da premiação, na promoção anual organizada pela Coordenação de Artes Cênicas da Secretaria da Cultura de Porto Alegre. Ele está ensaiando seu solo autoral “Tic-Tac”, projeto que marcou a estreia do artista nos palcos em 2011.

Perto de completar 35 anos, Andrew vem atuando em diversos espetáculos desde 2015, no Festival Internacional Porto Alegre em Cena, sempre com indicações ao Prêmio Brasken. Em 2016, Andrew se destacou em “Prata Paraíso”, montagem da Cia. Espaço em Branco, com direção de João de Ricardo, e que também consagrou-se com o prêmio de Melhor Espetáculo. 

O artista camaquense, que atualmente está radicado em São Paulo, tem muitos seguidores nas redes sociais, que além de prestigiarem suas atuações no palco, também curtem seus ensaios performáticos em lugares inusitados. Em virtude da pandemia muitos projetos estão em escala de espera. Na capital paulista Andrew faz parte do Teatro da Pombagira (foto), um grupo independente de atores e bailarinos, que também faz pesquisas sobre a arte homoerótica. Desde 2018 ele vem atuando na companhia com os espetáculos “Demônios” e “O sombra”.

Uma trajetória de luta e inspiração

Andrew, atualmente divide seu tempo exibindo sua arte entre São Paulo e Porto Alegre. Ele é muito conhecido nas redes sociais por sua irreverência e versatilidade ao se deixar fotografar em poses performáticas em lugares inusitados. “A ideia é ficar um tempo em São Paulo pois eu me identifico muito com a cidade, que visito desde 2013, mas depois pretendo sair do país e continuar trabalhando com arte em outros lugares do mundo”, projeta o artista.

Embora sua formação seja em Dança, ele pretende investir também na carreira de ator. Em 2015 quando fez “P-U-N-C-H”: projeto realizado através de edital nacional financiado pela FUNARTE, resolveu ingressar na área de teatro. Assim o bailarino define sua trajetória: “Me encontrei como um artista versátil, que dialoga com outras áreas das artes, entre a dança, o teatro, a moda e a performance.”

O início e a carreira na capital

Andrew Nunes Tassinari, natural de Camaquã, nasceu em 1 de julho de 1988. Foi na adolescência que descobriu seu lado artístico, despertando o talento como bailarino. No período de 2003 a 2006, estudou Ballet Clássico, na Escola de Dança Ballet e Companhia, da conceituada bailarina Andriza Freitas. Logo em seguida ingressou como acadêmico no curso de Licenciatura em Dança, pela ULBRA Canoas, mas acabou interrompendo em virtude de outros projetos de vida. Então, no final de 2008, muda-se para Porto Alegre, onde passa a dedicar-se à Dança Contemporânea. 

O artista estreou nos palcos em 2011, com o solo autoral “Tic-Tac de um corpo”, e dentre seus principais trabalhos destacam-se: “Cuidado Frágil”, e “Em meio ao luto, eu luto”. Andrew ingressou em 2014, na Companhia Municipal de Dança de Porto Alegre, atuando em “Salão Grená”, e “Adágio”, com três obras: “Ilação”, “Água Viva” e “Scanner”. Em 2015 o grupo se apresentou nas cidades de Fortaleza, Florianópolis e Salvador.

Atuou ainda em “Tempos de Partida” e “Carmina Burana”, com montagem da OSPA. Na Eduardo Severino Cia. de Dança atuou em “Bundaflor, Bundamor” e “In-Compatível”, e pela GEDA Cia. de Dança Contemporânea participou de “Il faut trouver chaussure à son pied”, espetáculo selecionado para o Festival “Diagonales”, em La Plata (ARG), em 2014, e “Verde Intenso”, com circulação estadual pelo FACRS, em 2017.

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