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Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Por Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Pesquisador e poeta

Um breve panorama da poesia camaquense

Publicado: 09/07/2021 às 17:03 | Fonte: Catullo Fernandes


Em 125 anos de emancipação política (19/04/1864), antes do surgimento da Casa do Poeta Camaquense - CAPOCAM, no ano de 1989, o Município de Camaquã registrava a edição de apenas sete obras, por sinal cinco de poesia. Hoje após o advento da fundação da entidade são mais de setenta títulos entre coletâneas e obras individuais.

Vale lembrar que a poeta feminista Anna Patrícia Vieira Rodrigues César - Patrona da 1ª Gestão da CAPOCAM - e que coincidentemente nasceu em 1864, publicou suas obras no Rio de Janeiro, e não temos conhecimento de que tenha lançado algum livro em sua terra natal. Importante sublinhar também que o Patrono Espiritual da entidade, Raphael Pires dos Santos, editor do jornal O Camaquã, fundado em 1956, criou o espaço Gente da Terra para divulgar os poetas locais.

Através de dedução feita pelo pesquisador Catullo Fernandes, salvo melhor juízo o primeiro poema escrito em terras camaquenses seria obra de Giuseppe Garibaldi, em gratidão à receptividade que recebeu durante sua estada em Camaquã, entre os anos de 1838 a 1839, na Estância da Barra, hoje distrito da Pacheca. 

Em 1979/80 o pioneiro da poesia modernista na Região, o irreverente poeta Evandro de Souza Gomes, publica o enigmático “Cacos & Insetos”, que no ano passado completou 40 anos de lançamento. Nos anos 1980 surgem ainda as obras nativistas: “Eu sou o Rio Grande do Sul”, de Max Bernardo Link, e “Transformações da querência” e “Três chamas”, de Adroaldo Fernandes Claro. 

Nesta mesma década, em 1987, o poeta Álvaro Santestevan publica “O poder no sótão & cinco poemas amarelos”. Estava lançada a semente para a fundação de uma entidade literária na Região da Costa Doce. Conforme o autor tudo começou em 1986, quando ele organizava a sua obra de estreia lançada no ano seguinte pela Editora Movimento.

A partir daí Santestevan passou a manter contatos com os escritores Joaquim Moncks, que prefaciou seu livro, e com o presidente da Casa do Poeta Rio-Grandense, Nelson Fachinelli, ativista cultural falecido em 2006. O poeta passa a frequentar o Cafezinho Poético-Musical no Restaurante Dona Maria, em Porto Alegre, onde buscou subsídios para fundar uma entidade semelhante em nossa cidade. O final dos anos 1980 coincide com a vinda de Barbosa Lessa para Camaquã, sendo então convidado a ser o Patrono de Honra da novel instituição. Estava consolidada a criação da Casa do Poeta Camaquense (foto), que viria a ser fundada em 31 de março de 1989. 

Em 28 de julho daquele ano o poeta Catullo Fernandes torna-se o primeiro autor a publicar após a fundação da entidade, com o lançamento da obra existencial “Viagem ao fundo do Verso”; e em 1990, a poeta Inez Ramos Crespo, com “Título: Mulher” torna-se a primeira mulher a publicar um livro em Camaquã. Daí em diante diversos autores associados da Casa vem contribuindo com novas edições literárias.

Nos anos 1990 surgem as primeiras Antologias da CAPOCAM: “E por falar em poesia”, “Luz - Poesia - Ação” e “A palavra descoberta”, sendo que em 2004 é editada “Poesia pela paz”, todas elas sempre reunindo autores dos mais diferentes estilos. É desta época o projeto de leitura nas escolas “Meu primeiro livro, meu primeiro autógrafo” revelando autores estudantis.

Entre os anos de 2009 e 2016 é lançada através da Criarte, a revista “Cidade da Poesia”, com a participação de diversos poetas da zona urbana e rural de Camaquã. Autores camaquenses também participam de coletâneas nacionais, em particular a antologia “Poeta mostra a tua cara”, organizada pela escritora Claudia Gonçalves.

No período de 2005 a 2008 diversos livros de poesia e outros gêneros são lançados através da LICRS, na gestão da secretária municipal de Cultura, Solange de Souza. Surgem neste período importantes eventos literários, sendo os mais destacados o Versejo Estudantil e o Otto em Poesia, além do projeto anual Rock & Poesia organizado pelo poeta Alceu Amaral.

Atualmente novos livros continuam sendo publicados, e recentemente aconteceu o lançamento da quinta antologia da CAPOCAM “Cidade da Poesia”, que marcou os 30 anos da entidade. Para este ano de 2021 está previsto o lançamento da antologia VI “A poesia em tempos de pandemia”, através da Lei Aldir Blanc. A coletânea deves ser lançada em novembro, no retorno da Feira do Livro, e espera-se que de forma presencial se os protocolos de segurança estiverem liberados.


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