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O JUDICIÁRIO PERDE MARIA DE FÁTIMA

14/01/2021 - 09h:31min
Nelson Egon Geiger

Quando comecei a advogar o Foro era na Rua Gen. Bento Gonçalves, esquina com Av. Pres. Vargas, no andar de cima. No local, embaixo, funcionaram vários negócios. Naquela época uma loja de brinquedos de Costa & Leusin. Depois uma loja de tintas. Há pouco, uma livraria.

Em 1975 o Governo do Estado adquiriu o prédio do antigo Clube Comercial e transferido o Foro para o local. Hoje a Secretaria Municipal de Educação. Local maior exigiu mais servidores, que através de concurso ingressaram. Na década de 80, entre eles a Maria de Fátima Spolavori Danelon. Os Cartórios Judiciais eram dirigidos pela Da. Loti e Da. Neusa. Lembro bem dos Juízes da época. Hoje todos aposentados.

Pois bem, a Maria de Fátima, mercê de seus conhecimentos e sua dedicação ao cargo foi designada para a Contadoria. E nessa área laborou dentro do Poder Judiciário camaqüense por 37 anos.

Lamentavelmente e ainda na atividade, apesar de tempo de serviço suficiente para aposentadoria no último dia 06 ela nos deixou. Vítima de longa e penosa doença que nunca lhe tirou nem a dedicação ao trabalho e nem a sempre solicitude no atendimento às pessoas que buscavam informações ou serviços. Entre esses a classe dos advogados. Desconheço que algum colega, em qualquer época, tenha reclamado de algum ato que ficasse a encargo dela e que não fosse pronta e eficazmente atendido.

Solícita, atenciosa, extremamente educada, sempre disposta Maria de Fátima deixa uma lacuna no judiciário local que dificilmente será preenchida à altura. Aliás, quando começou e por largos anos era a substituta na Contadoria do Foro. O titular de vários anos, hoje aposentado, era deixado de lado pelos colegas que precisassem de algum cálculo. Quer de custas; quer de conta; quer de conferência; quer informação sobre preenchimento e recolhimento. Em especial no tempo que o serviço não estava disponível no sistema eletrônico. Ou que, nem mesmo essa forma eletrônica existia. Era através das máquinas de calcular e de escrever. De formulários prontos. De recolhimentos posteriores com guias aprovadas pela Fazenda Estadual, vinculando Executivo e Judiciário. Tudo isso a Maia de Fátima fazia com prazer e presteza. No tempo e na hora.

A vida é assim mesmo. Como diria Camões “repouse lá no Céu eternamente”. E fiquem os advogados camaqüenses na Terra tristonhos pelo seu passamento. Que vai deixar, sim, lamentação por muito tempo. Entendo ao longo do período em que conheci e necessitei de Maria de Fátima em minha atividade que sua falta será sentida. Quer pelos colegas de trabalho diretos; ou seja, de serviço; quer pelos advogados. Daqui e de outros lugares, porquanto também ela era incansável no atendimento telefônico. Aos seus familiares minha sincera homenagem à grande pessoa que ela sempre foi.  E que nunca será esquecida.

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