Colunistas

Um templo grandioso

09/05/2019 - 10h:07min
Nelson Egon Geiger

Essa grandiosidade não estaria na amplitude; no tamanho. Quando o Rei Davi pretendeu construir um Templo para nele recolher o Tabernáculo que vinha desde o tempo de Moisés, com formato determinado por Deus, segundo o Livro de Êxodos, 25, não o pode fazer. Pela Bíblia porquanto era um rei guerreiro. Culminou que foi construído por Salomão; seu filho. 

            Embora com algumas divergências investigativas históricas o Templo teria sido terminado por Salomão mais de sete séculos antes do nascimento de Jesus. Destruído por Nabucodonosor quando invadiu Israel e levou o povo judeu escravo para a Babilônia, o templo somente foi reconstruído após o retorno dos judeus para sua terra. Setenta anos haviam se passado e o segundo Templo durou até o ano 70 de nossa era. Quando novamente destruído. Desta vez pelos romanos sob o comando do General Tito.. 

            A Bíblia até lhe diz as dimensões. Era grandioso. Mais tarde outros grandes templos foram erguidos pelo homem. Mas nem a Igreja de São Pedro em Roma; de São Paulo em Londres; de São Patrício, em Nova Iorque ou a de São Paulo Extramuros também em Roma, são basílicas exigidas para os ensinamentos Divinos. Ou a mais casmurra, pela suntuosidade gótica e com os vitrais lindíssimos de Notre Dame, em Paris. 

            Em nenhum momento na Bíblia há registro que Deus tenha ordenado fosse construído algum templo suntuoso. Ressalvada a ordem contida no Livro de Êxodos para ser levantado o Tabernáculo, nem o Criador e nem Jesus Cristo solicitaram construção gigantesca para servir de Templo de oração. Sim aconchegante. Para permitir o relacionamento do homem com seu Criador. Então tamanho ou luxo nunca foi necessário. 

            Sim um lugar que inspirasse um reencontra da criatura com o Criador. Então nem no princípio e, com certeza, nem mesmo agora, a imponência foi necessária para honrar a Deus. Não é preciso, aqui e agora, decantar-se a beleza dos templos acima citados. Estou omitindo grandes outros templos, como algumas Mesquitas do Islã e igrejas de outras religiões cristãs: protestantes, evangélicas e ortodoxas, pelo mundo afora. Citei apenas aquelas que conheci pessoalmente. 

            Então toda a grandiosidade, como construção, móveis, pinturas, estátuas que apenas traduzem símbolos, não são precisos. Não são os ícones ou os ídolos que nos levam ao Criador. Daí que não interessa suntuosidade ou grandiosidade. O contato da criatura com o Criador deve ser íntimo. Pode ser através de um grupo de pessoas. Grande ou pequeno unido em clamor. Mas não vai precisar, nunca, de tapetes, móveis, locais de luxo e, muito menos estátuas. Aliás, isso mera iconologia. O que interessa é a busca do contato entre o ser humano e o Deus Supremo. Isso em qualquer lugar. Ainda que em simples galpão, antigo engenho, ou no aconchego da casa. Deus não quer nada mais do que isso. Podem acreditar.

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