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Nelson Egon Geiger
Por Nelson Egon Geiger
Advogado

A HISTÓRIA NÃO CONTADA DO BB DE CAMAQUÃ (VII) - Quando a República foi Invadida

Publicado: 06/07/2021 às 16:51 | Fonte: Nelson Egon Geiger

Ainda em época do Banco no local aonde esta hoje a Farmácia Panvel cheguei para assumir aprovado no concurso. No ato fui convidado para morar com colegas solteiros num apartamento no Edifício Assis.

Ao exemplo de estudantes alugando imóvel para dividirem a moradia comum chamava-se república. Então fui morar numa república que abrigava funcionários do BB. Ali moramos: Guaraci, Romeu, Jair, Mirapalheta, eu e depois mais o Pierre e o Senna. Assumidos naquela época o Daicy, o Jorge e o Rosa, casados trouxeram as esposas e locaram casas. 

Nossa república era no último andar do prédio, na esquina das ruas Luiza Maranhinchi e Júlio de Castilhos. No 2º piso, no aparamento defronte ao nosso e no térreo residiam outras pessoas com familiares. Nesse 2º piso uma das famílias era de um policial importante da Delegacia local.

Ao entrar, sair e dentro do apê confesso que era ruidoso.  Afinal eram 05 rapazes em torno de 21 a 25 anos, mais eu e o Mirapalheta ainda com 20 anos. Idade que, pelo Código Civil da época seria menor relativamente capaz. Restrição civil eliminada pelos dois pela posse em cargo público.

Saímos para trabalhar pela manhã em serviço extra e antes das doze para o expediente externo. Na época era esse horário para o público/. Todo atendimento era presencial; nada eletrônico. Entradas e saídas de casa, inclusive para passear à noite, quase sempre mais de um. Barulho inevitável. Aconteceu que alguém andou molhando a porta do apartamento do Policial. Não era cachorro porque não subiria ao 2º piso. 

Ao ver sujeira em sua porta ao sair o Policial, evidente, indignou-se. Deve ter pensado: “são essas caras que não sei de onde vieram ou que fazem”. Subiu ao nosso andar, bateu na porta que se abriu. Ora, o Romeu tinha comprado um sofá cama, com vistas ao seu futuro casamento. Dormia na sala. Sempre saía em cima da hora. Sem tempo até para se barbear. Tremeu ao avistar aquele homem com revólver em punho.

Indagou o Policial: “quem são vocês”? Levantando os braços o colega respondeu: “Romeu, às suas ordens”.  Ouvindo o barulho o Guaracy veio lá de dentro: “Senhor, somos funcionários do Banco do Brasil; o que houve”?  A resposta foi, guardando a arma: “Há são funcionários do Banco; desculpem é que achei uma sujeira na minha porta”. 

Pois é a nossa república foi invadida. Sem razão. Mas, tão logo o Policial soube quem era o grupo viu que aquilo não era coisa nossa. Afinal, ser funcionário do Banco do Brasil naqueles tempos dourados inspirava um comportamento social sério. Era uma elite de funcionários públicos que emanava confiança e respeito. Diferente de hoje quando os computadores dominam e o relacionamento com a clientela acabou.


EDIÇÃO de 1º de julho de 2021.___.