Colunistas

Monteiro Lobato, o ambientalista

11/11/2019 - 12h:26min
Renato Zenker - Meio Ambiente

          Sempre fui um admirador da obra de Monteiro Lobato, não só pelos temas adequados ás crianças, mas também pelo conteúdo ambiental que aparece em quase todos escritos. Quem conhece a história do criador da “Emília”, sabe que muitas das suas obras estão ligadas a motivos ambientais. Sim, porque Monteiro Lobato foi uma pessoa que sempre defendeu o nacionalismo e o meio ambiente. Lutou pela nacionalização do Petróleo e foi preso pela radicalização desse propósito, isso aconteceu quando Getúlio Vargas era o Presidente da República.

          Lobato materializava sua luta ambiental nos livros que escrevia e foi com eles que conscientizava a população da época. Hoje, muitos seguem o mesmo caminho, mas devemos honras a ele pelo pioneirismo. Podemos dizer que suas obras misturavam competência literária com o ideal naturalista. Foi um crítico do latifúndio, defendeu com ênfase a preservação do verde, combateu as queimadas mesmo que fosse para o preparo das lavouras, combateu o aprisionamento de animais silvestres e a pesca predatória, combateu as drenagens de banhados, era contra a utilização de animais como cobaias e combateu o uso do fogo nos campos nativos.

          A partir de uma visão crítica, misturada com o nacionalismo, Lobato mostrou os problemas ambientais mais importantes da época em que viveu, mas de lá para cá, com o desenvolvimento sem controle das indústrias, a prática da agricultura desordenadamente, a expansão das cidades sem planejamento e o consumo desenfreado, determinaram o aumento dos problemas ambientais. Em todos os locais podemos ver os sinais da degradação ambiental e cada dia que passa vai se tornando mais difícil e cara a solução para esses problemas.

          A situação que se apresenta, hoje, é bem diferente da época em que viveu Lobato, por certo que ele não mudaria o seu procedimento, mas seria, com certeza mais radical, principalmente, por concluir que a situação poderia ser bem diferente se a população e seus governantes tivessem modificado seus procedimentos. Leis foram criadas para essa finalidade, mas infelizmente não foram cumpriram, e, pior, a tendência agora é flexibilizar os compromissos com o meio ambiente.

          Mesmo que Lobato fosse um ambientalista ferrenho, nunca deixou transparecer que era contra o progresso, seu exemplo e de outros personagens que lutaram na defesa do Meio Ambiente, devem servir como baliza para os órgãos ambientais e para as ONGs que militam na defesa da Natureza.

          Na época Lobato foi sensível e identificou os impactos das atividades humanas, quando a maioria das pessoas não estavam preocupadas, certamente na atualidade, com o crescimento dramático dos problemas que afetam a água, o solo, a flora, a fauna e o ar que se respira, Lobato teria mais motivos para se preocupar, mas por incrível que possa parecer, os Governos estão mais preocupados em flexibilizar as Leis Ambientais para, segundo eles, destravar o desenvolvimento. Pensem nisso e continuem nos prestigiando.

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