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Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Por Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Pesquisador e poeta

Coisas estranhas que só acontecem em Camaquã! - Parte II

Publicado: 06/05/2021 às 14:27 | Fonte: Catullo Fernandes


Dando sequência as coisas estranhas, que independente de época, só ocorrem em Camaquã, vamos relembrar alguns episódios. Mas antes voltemos ao Cel. Sylvio Luis esta figura mais do que pitoresca, que faleceu aos 73 anos, e foi prefeito de Camaquã, de 1950 a 1952, e de 1956 a 1959. Aficionado pelo turfe, boêmia e jogos de azar ele costumava ir à Porto Alegre, em particular no Hipódromo Moinhos de Vento para acompanhar as “carreiras” de seus cavalos no Jóquei Club do RS (hoje sediado no Hipódromo do Cristal). Ele também era assíduo frequentador das casas noturnas da Av. Voluntários da Pátria - sua fama está descrita no livro “A noite dos cabarés”, de Juremir Machado da Silva. Reza a lenda que até documentos partiam de Camaquã para que ela assinasse na capital evitando interromper seu passatempo.

Desconfio que foi numa destas andanças que ele adquiriu a Sinaleira Francesa, que até bem pouco tempo imaginava-se um presente da França para Camaquã. Recentemente foi descoberto um documento de compra na Câmara de Vereadores ficando provado que isto jamais ocorreu, afinal a troco de quê o governo francês iria presentar uma pequena cidade interiorana? Uma foto descoberta recentemente de uma sinaleira semelhante encontrava-se em Porto Alegre exatamente na Voluntários da Pátria. Não precisa ser nem um gênio para intuir que este negócio tem a mão do coronel, pois segundo consta existem somente três sinaleiras iguais a esta no Brasil.

Como era comum na época o Cel. Sylvio Luis, que nunca foi militar, tinha uma legião de seguidores. Após sua morte, em 1979, até o nome da Praça 15 de Novembro, no Centro Histórico, foi mudado para homenageá-lo, o mesmo ocorrendo com o campo de futebol do Guarany FC, que foi batizado de Estádio Cel. Sylvio Luis, embora seu esporte preferido fosse o turfe. No Jockey Club Camaquense do qual foi grande benemérito, encontra-se um busto em sua memória.

Sylvio Luis foi um próspero fazendeiro, político ferrenho, e uma das maiores fortunas da região, tendo sido sogro do falecido prefeito José Cândido de Godoy Netto - um casamento arranjado com a filha única do coronel, Gladis Terezinha, também falecida. Aliás, este casal que não deixou descendentes, teve um final não muito feliz, apesar de terem vivido na riqueza ambos morreram com poucos recursos. E por falar em nobreza. Narrativas absurdas atuais de que o imperador Dom Pedro II e sua consorte Teresa Cristina, e mesmo a Princesa Isabel estiveram de passagem por Camaquã, e pernoitaram na Capela do Império também fazem parte de nosso imaginário popular.

Na questão histórica que envolve a Revolução Farroupilha vale lembrar a visita anual que um piquete de cavalarianos tradicionalistas fazia até o Cemitério do Cordeiro (hoje município de Cristal), julgando estar prestando uma homenagem póstuma ao Gen. Bento Gonçalves, quando na verdade a sepultura era de seu filho, Bento Gonçalves da Silva Filho, o Bentinho - primeiro presidente do Legislativo Camaquense. E que aliás a serviço militar na Guerra do Paraguai (1864-1870) não comandou a casa legislativa ficando o cargo ocupado pelo Capitão Isaías Rodrigues Mendes. Bentinho atuou em defesa dos interesses do mesmo Império, que seu pai lutou contra na Guerra dos Farrapos, vá entender esta gente!

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