Colunistas

As cicatrizes da estiagem

10/03/2018 - 08h:26min
Renato Zenker - Meio Ambiente

O momento que estamos vivendo é extremamente preocupante, devido à grande estiagem que acontece em todo o Estado. Os prejuízos para os produtores são imediatos, mas posteriormente acontece outro fator altamente negativo que é a diminuição da arrecadação e mais prejuízos virão, isso reflete na prestação de serviços públicos.

Contudo não podemos nos conformar com essa situação, é possível influir para amenizar os efeitos das estiagens. Como não é possível mudar o clima, nem a distribuição das chuvas, podemos acautelar os efeitos. Partimos do princípio que as precipitações estão ocorrendo na normalidade, os registros de chuvas durante o ano estão dentro das previsões, o que acontece são os períodos sem chuvas, mais ou menos prolongadas. O que se tem observado é que estas estiagens, tem provocado cada vez mais perdas, então as águas das chuvas não estão infiltrando no solo.

Chegamos à conclusão que ao longo da ocupação da terra, alguma coisa foi mudando no nosso Meio Ambiente. Num simples estudo da história da colonização, como a atividade rural exigiu a ocupação de superfície, em muitos casor houve um desmatamento radical, destruindo dramaticamente o Bioma Mata Atlântica. Esse processo adicionado à compactação das camadas abaixo da lavra, determinou o impedimento da infiltração das águas da chuva.

Com a diminuição progressiva da infiltração das águas das chuvas surge o déficit hídrico do solo, como consequência diminuem significativamente as vertentes o que desestabiliza o fluxo dos mananciais. No caso das estiagens, quando elas encontram um solo com seu balanço hídrico normal a repercussão é menor porque o lençol freático está próximo da superfície, assim, os efeitos negativos são retardados, porque existe disponibilidade de água trazidas pelo sistema capilar do solo.

A ausência das florestas nos topos de morros, nas encostas muito íngremes e nas proteções dos cursos d’águas, influem no fluxo dos cursos de água e isso acontece mais intensamente no período de verão quando se necessita mais da água para irrigação e matar a sede dos animais. Não podemos esquecer: as árvores retém as águas da chuva e o solo cultivado sem a proteção devida permite o escorrimento. Essa situação está causando o “efeito sanfona” nos rios, isto é, quando chove o rio transborda, quando para de chover por um período o rio se aprofunda na sua calha. O processo da estiagem leva os Rios a se transformarem em arroio, os arroios em sangas e as sangas muitas vezes secam.

Então o que fazer? Temos que remontar o sistema de recarga reflorestando as áreas indicadas e nas lavouras utilizar as práticas de conservação do solo adequadamente, introduzir a rotação de cultura e utilizar a adubação orgânica para melhorar os aspectos físicos do solo, sem esquecer de romper as camadas compactadas com subsolagem, posteriormente fazer o mínimo cultivo. Dessa maneira vamos corrigir o balanço hídrico do solo de modo, que os efeitos das estiagens não ocorram, mas se ocorrer pelo menos os efeitos sejam mais moderados. Vamos voltar ao assunto nos próximos textos.

      

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