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As perdas pelas enxurradas

07/01/2018 - 10h:36min
Renato Zenker - Meio Ambiente

      Se você observar a coloração das águas dos mananciais em forma de: riachos, sangas, arroios, rios, e lagoas, vai notar que não flui mais ali águas cristalinas. Isso é reflexo das grandes perdas de solo a que estão submetidas nossas lavouras. Por certo que muito material se origina de estradas, mineração e terraplanagem, mas a quantidade maior vem das lavouras, com certeza. Esta perda acontece em maior escala em topografia acidentada, mas é bom lembrar que as várzeas contribuem também quando o solo é mal manejado.

      É bom saber que as partículas mais finas do solo é que ficam em suspensão na água, elas que empresta a coloração das águas e são carregadas para bem longe da sua origem. Este sedimento é a parcela mais importante do solo, exatamente ela, que é responsável pela fertilidade da terra. Misturado com esses minerais está a Matéria Orgânica refúgio e mantenedora dos seres vivos do solo.

     Esta situação está tomando uma dimensão assustadora, pois a perda do solo é muito maior do que a restituição natural. A perda de solo é muitas vezes superior à reposição natural. Essa perda possui duas vertentes importantes, ou seja: às transformações climáticas dos últimos tempos e ao descuido no trato com o solo nas lavouras.

     A Geologia e a Paleontologia nos ensina, que nada é estático no Planeta, pelo contrário, tudo está submetido à evolução, isso foi densamente confirmado por Charles Darwin, mas tudo em processos naturais brandos capazes de serem compensado pela Mãe Natureza. Seguramente esse processo não contava com o apressamento causado pelo homem.

      A necessidade crescente de alimentos para uma população que cresce de maneira até incontrolável não pode ser motivo de descaso com o solo. Identifica-se nesse quadro a ganância de algumas pessoas envolvidas na produção que se preocupam mais em produzir alimentos e obter lucro do que conservar o solo. Este que é o sustentáculo da produção. Nesse particular pode ser citado também a ocupação de áreas imprópria, como é o caso da Amazônia, principalmente com o objetivo de especulação imobiliária. Por aqui não foi diferente, quando se ocupou as recargas de água do solo e as APPs em geral, nos Biomas Mata Atlântica e agora no Pampa Gaúcho.

      Em termos de Brasil podemos citar como altamente preocupante as ocupações em pleno vigor, com a agricultura em solos extremamente frágeis existentes nos Biomas: Serrado, Caatinga e Pantanal.

      Para mudar esse panorama preocupante o homem deve assimilar os ensinamentos da própria Natureza, remodelar o processo produtivo, adequando-o às Leis Naturais e fundamentalmente proteger os Mananciais que se constituem em reservas naturais. Pensem nisso.

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