Saúde e Bem Estar

Vacina AstraZeneca: saiba quais são as reações, sintomas e efeitos colaterais após a vacinação

Anvisa alerta contra uso exagerado do paracetamol para alívio de dores e febre após a vacinação, e especialistas vetam uso de anti-inflamatórios como aspirina, diclofenaco ou ibuprofeno
Por: Renata Ulguim | Publicado: 04/06/2021 às 14:34 | Alterado: 11/06/2021 às 23:44
Reações, sintomas e efeitos colaterais da AstraZeneca. Foto: Guilherme Testa / CP Memória
Reações, sintomas e efeitos colaterais da AstraZeneca. Foto: Guilherme Testa / CP Memória

A vacina AstraZeneca contra Covid-19 está apresentando alguns sintomas para grande parte das pessoas que estão recebendo o imunizante. A AstraZeneca foi produzida no Brasil, em parceria com a Fiocruz. 

A maioria das reações adversas estão sendo considerados de leve a moderados e normalmente desenvolvidos poucos dias após a vacinação. Também foram mais frequentes após a primeira dose da vacina. 

Entre os efeitos colaterais mais comuns está a sensibilidade ou dor no local da injeção, dor de cabeça, fadiga, dor no corpo e mal estar, febre calafrios, dor nas articulações e náuseas. Vale ressaltar que é incomum ter inchaço nas glândulas, na axila e no pescoço no mesmo lugar do braço que recebeu a vacina. De acordo com profissionais, esses sintomas podem durar cerca de dez dias, mas caso dure mais é preciso procurar um médico. 

O que fazer se tiver um efeito colateral?

Normalmente aparece no período de até dois dias depois da vacinação e costuma durar, no máximo dois dias. Os medicamentos mais recomendados dos efeitos colaterais são dipirona ou paracetamol, sempre observando as instruções da bula. 

Antiinflamatório não são recomendados. Caso novos sintomas apareça, a partir do quarto dia depois da vacinação, a indicação é de procurar o médico. A Anvisa alerta contra uso exagerado do paracetamol para alívio de dores e febre após a vacinação, e especialistas vetam uso de anti-inflamatórios como aspirina, diclofenaco ou ibuprofeno.

O que dizem AstraZeneca e Johnson?

Por Lara Pinheiro, G1

Após uma paralisação temporária da aplicação de sua vacina na Europa, em março, a AstraZeneca disse, no início de abril, que está "trabalhando para entender casos individuais e" possíveis mecanismos que podem explicar esses eventos extremamente raros“.

Em 9 de abril, o grupo Johnson&Johnson disse que nenhuma relação causal clara foi estabelecida entre a vacina e os coágulos. A vacina chegou a ter sua aplicação suspensa nos Estados Unidos poucos dias depois, mas, dez dias após a paralisação, a aplicação foi retomada.

12. Existe algum grupo que NÃO deve receber a vacina de Oxford/AstraZeneca além das grávidas?

Conforme as orientações do governo britânico – primeiro a aprovar e aplicar a vacina de Oxford/AstraZeneca no mundo – a vacina está contraindicada nos seguintes casos:

Pessoas com hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes da vacina: L-histidina, monoidrato de cloridrato de L-histidina, hexaidrato de cloreto de magnésio, polissorbato 80, etanol, sacarose, cloreto de sódio, edetato dissódico di-hidratado e água para injetáveis.

Pessoas que sofreram de trombose venosa e/ou arterial grave com trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas no sangue) após imunização com qualquer vacina contra a Covid-19. Essas não devem receber uma segunda dose da vacina da AstraZeneca.

Pacientes com histórico de trombocitopenia e trombose induzidas por heparina (veja detalhes mais abaixo).

O governo britânico também recomenda conversar com um médico se você:

  • alguma vez teve uma reação alérgica grave (anafilaxia) após qualquer outra vacina;
  • tem atualmente uma infecção grave com temperatura elevada (acima de 38ºC);
  • tem problemas com hemorragias, hematomas ou se está tomando anticoagulantes;
  • tiver algum problema no sistema imunológico ou estiver tomando medicamentos que enfraquecem o sistema imune (corticoesteroides em altas doses, imunossupressores ou de tratamento para câncer).
  • já teve um coágulo nos seios venosos do cérebro ou a síndrome antifosfolipídica (síndrome de Hughes).

A trombose induzida por heparina é o único tipo de trombose apontado como contraindicação para a vacina de Oxford/AstraZeneca. Isso porque esse tipo de trombose – conhecida pela abreviação HIT – tem um mecanismo semelhante ao da induzida pela vacina (VITT).

"Em um número muito pequeno de pessoas, o corpo recebe heparina e, 4 a 28 dias depois, ele produz um anticorpo contra suas plaquetas. E é aí que está a semelhança [com a VITT] – a heparina pode causar coágulos sanguíneos ao ativar as plaquetas e fazê-las coagular. É o mesmo processo de plaquetas ativadas que está causando o problema", explica Menaka Pai.

Ainda não há dados suficientes para determinar se quem já teve trombose por heparina corre mais risco de ter trombose pela vacina, mas "os anticorpos que vemos na trombose induzida por heparina parecem muito, muito semelhantes aos anticorpos que vemos na trombose induzida por vacina (VITT)", explica a médica. Ela pontua, entretanto, que as vacinas não têm heparina e que as pessoas que têm a VITT também não foram expostas à heparina.

Já a trombocitopenia, o baixo número de plaquetas no sangue, ocorre associada aos dois tipos de trombose (pela heparina e pela vacina). Ela ocorre porque, quando atacam as plaquetas, os anticorpos também as eliminam do corpo. Ou seja: à medida que as plaquetas são ativadas, elas também vão sendo eliminadas, causando a trombocitopenia.


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