Saúde e Bem Estar

Farmácia Verde: Conheça o espaço de plantas medicinais construído por apenados do Presidio Estadual de Camaquã

Projeto “Acreditar é preciso” cultiva plantas que são encaminhadas à Unidades de Saúde do município
12/09/2018 - 15h:57min - Fonte: Luísa Flores | Clic Camaquã

Com o objetivo de incentivar a diminuição do uso de medicamentos sintéticos e propagar a importância do uso de plantas medicinais, a Secretaria Municipal da Saúde, em parceria com a Secretaria Municipal da Educação e Secretaria Municipal da Agricultura e Abastecimento, criaram o Programa Fitoterápico “Plante essa ideia”. O programa visa valorizar os benefícios que as plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos trazem para a prevenção de doenças.

A partir da criação desse programa, a equipe do Presídio Estadual de Camaquã idealizou o projeto “Acreditar é preciso”, que levou aos apenados palestras, aulas e debates a respeito do assunto, criando-se, então, a “Farmácia verde”, que consiste num espaço medicinal onde os detentos realizam todo o processo de plantio, colheita, secagem e empacotamento das plantas. Atualmente são cultivadas cerca de 71 tipos de plantas medicinais fundamentadas pela ANVISA, que fazem parte do RENISUS (Relação Nacional de plantas medicinais de interesse ao Sistema Único de Saúde). Após serem embaladas, as plantas são encaminhadas para as Unidades de Saúde do município para a fabricação de chás, além de servirem em cursos e palestras, e para o consumo dos próprios presos.

Entre as plantas cultivadas estão Malva, Guaco, Boldo da Bahia, Hortelã, Alecrim, Jurubeba, Arnica Brasileira, entre outras.

Participam do projeto detentos do regime fechado e regime semi aberto, que além de adquirirem o conhecimento e se desenvolverem produtivamente, conquistam sua remissão, já que a cada três dias trabalhos no projeto, o apenado diminui um dia de sua pena.

“Nosso objetivo com a farmácia verde é resgatar a autoestima deles e colaborar para sua reinserção na sociedade. Fazer com que a experiência aqui seja produtiva.” Disse a psicóloga da penitenciária, Luciane Centeno.

A professora especializada em plantas medicinais, Cátia Menezes, explica que o próprio manuseio e contato com as plantas ajuda em fatores psicológicos. “Tivemos uma aceitação unânime do trabalho, quando não acontecem as aulas, eles que pedem.” disse ela.

O apenado responsável por liderar o trabalho externo de plantio e cultivo das plantas, N., de 55 anos, conta que o trabalho no espaço medicinal o ajudou a superar a depressão. “Mudou tudo na minha rotina, eu estava doente, entrei em depressão. Aqui, mexendo nos chás, encontrei outro rumo. Todo mundo se envolveu bastante.”

Já F., de 60 anos, pretende usar o conhecimento em plantas medicinais para introduzir no comércio que tem com a esposa na Feira do Agricultor.  “É bom aprendermos algo que futuramente poderemos usar lá fora.”

O projeto existe há cerca de um ano e recentemente os presos tiveram a oportunidade de receber uma capacitação com certificação pelo SENAR, para aprimorar as habilidades de plantio e cuidado com a planta.

“Nosso papel aqui é fazer com que eles voltem para a sociedade como pessoas melhores do que entraram. Quem passa por aqui, de fora, não tem ideia de tudo que fazemos aqui dentro.” conta o diretor do presídio, Luiz Alberto Tavares.

 Além da Farmácia Verde, o presídio conta com trabalhos de reciclagem, artesanato, aulas de ensino fundamental e atividades de leitura.

Para informações ou interesse em plantas medicinais, contate a Secretaria Municipal da Saúde pelo fone: (51) 3671-4840

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