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Varíola dos macacos: saiba qual a gravidade da doença nas crianças

Em São Paulo já foram confirmados cinco casos da doença em crianças


Por Redação Clic Camaquã Publicado 05/08/2022
 Tempo de leitura estimado: 00:00
Foto: Divulgação

O Estado de São Paulo já confirmou cinco casos de monkeypox, doença conhecida popularmente como varíola dos macacos, em crianças. A enfermidade também já havia sido diagnosticada nos mais jovens em outros lugares, como Espanha e Estados Unidos.

Diversas instituições internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, colocam as crianças com menos de oito anos como um dos grupos onde a infecção pode ser mais grave e apresentar complicações.

Essa informação está baseada em séries históricas e em estudos feitos desde os anos 1970 principalmente nas regiões do continente africano onde o monkeypox é endêmico — mas ainda não há certeza que essa mesma gravidade vai se repetir no surto atual, em que o vírus se espalhou por diversos continentes.

“Não existe motivo para pânico”, acalma o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira Junior, gerente de qualidade assistencial e controle de infecção do Sabará Hospital Infantil, em São Paulo.

Entenda a seguir porque as crianças seriam mais vulneráveis ao monkeypox, como protegê-las, quando suspeitar da doença nelas e quais são as formas de tratamento desses casos.

Como proteger e suspeitar da doença em crianças

A transmissão do monkeypox acontece por meio da relação próxima e prolongada com alguém que está infectado.

O vírus “pula” de uma pessoa para outra através do contato direto com as lesões de pele, do compartilhamento de objetos de uso pessoal (como talheres, copos, toalhas e roupas de cama) ou das gotículas de saliva.

A primeira maneira de proteger as crianças, portanto, é limitar a interação dela com pessoas em que há suspeita ou confirmação da doença, até que as feridas estejam completamente cicatrizadas.

Mas quando se presume que um indivíduo mais jovem pode estar com monkeypox? Os médicos orientam que pais e tutores fiquem de olho nos sintomas mais frequentes.

“Se por acaso você observar o aparecimento de lesões na pele, com ou sem febre e prostração, é importante levar a criança ao médico para uma avaliação”, orienta Oliveira Junior.

E aqui há um desafio grande: várias outras enfermidades comuns na infância, como catapora, sarampo, doença mão-pé-boca e molusco contagioso, também estão relacionadas ao aparecimento de bolhas, vermelhidão e pústulas.

Independentemente de qual for o causador daquele sintoma, a consulta com um profissional da saúde é primordial para fazer o diagnóstico correto e receber orientações sobre o tratamento.

“E não custa lembrar que para algumas dessas doenças, como sarampo e catapora, nós temos vacinas disponíveis e é muito importante que as crianças estejam com a carteirinha atualizada”, acrescenta Otsuka.

Como tratar a monkeypox em crianças

Por fim, nos casos em que a avaliação clínica e o teste confirmam que se trata de monkeypox mesmo, é possível tomar alguns cuidados para diminuir o risco de complicações.

Oliveira Junior destaca que já existem remédios e vacinas disponíveis contra a doença, mas o uso deles é bem limitado e não há liberação para utilizá-los no Brasil até o momento.

Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou que está negociando a compra de doses do imunizante e das medicações com a OMS.

Enquanto recursos específicos para lidar com o agente infeccioso não ficam disponíveis, a primeira atitude é limitar o contato do paciente com outras pessoas — isso diminui o risco de transmitir o vírus adiante.

O isolamento deve acontecer até que as lesões estejam completamente cicatrizadas. Mesmo aquela casquinha que se forma no final do processo ainda carrega o patógeno.

Na grande maioria das vezes, a criança estará 100% recuperada em duas a quatro semanas.

“Também orientamos uma alimentação adequada, boas noites de sono e ficar atento ao consumo de líquidos, para evitar um quadro de desidratação”, lista Otsuka.

Nessa fase, ainda podem ser prescritos remédios para aliviar a dor e a febre, como o paracetamol e a dipirona.

“Por fim, é fundamental ter muito cuidado com as lesões para evitar infecções bacterianas secundárias.”

“Uma maneira de prevenir isso é adotar uma higiene adequada, com banhos regulares, e manter as unhas curtas e limpas, além de orientar a criança a não coçar o local afetado”, conclui o infectologista e pediatra.

E, claro, se os sintomas não melhorarem ou piorarem depois de alguns dias, vale buscar uma nova avaliação médica.

*Fonte: Portal BBC News Brasil.


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