Polícia

Cavalos policiais: saiba como funciona o policiamento ostensivo montado e os cuidados tomados com estes animais

Os cavalos auxiliam no policiamento ostensivo da Brigada Militar desde 1913
Publicado: 10/05/2021 às 16:24 | Alterado: 17/05/2021 às 19:10 | Fonte: Brigada Militar
Foto: Brigada Militar / Divulgação
Foto: Brigada Militar / Divulgação

 Os cavalos auxiliam no policiamento ostensivo da Brigada Militar desde 1913. Com grande inteligência e força, estes animais estão junto aos seus tutores em diversas atividades. Através de treinamentos e cuidados específicos, estes equinos adquirem habilidades para auxiliar os policiais militares na manutenção da segurança pública.

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Este é o caso dos 348 cavalos dos Regimentos de Polícia Montada da corporação, os quais são preparados pelo Centro de Estudos, Treinamento, Reprodução Animal e Preservação Ambiental (CETRAPA) da Brigada Militar.

  Apesar da história entre a Brigada Militar e o uso de equinos para trabalho ser longa, foi em 1989 que a corporação deu início a uma estrutura para a criação de equinos, com a construção de cocheiras para garanhões, baias para maternidade, laboratório para reprodução e piquetes para manuseio dos animais.

Em 2002 surgiu o CETRAPA, centro que tem como responsabilidade a produção, criação, distribuição, reposição e substituição dos equinos que serão destinados para outras unidades da Brigada Militar. O local está situado na Fazenda Philipson, no município de Itaara e é centro de referência na produção do cavalo da raça Brasileiro de Hipismo, ideal para o emprego do policiamento montado. 

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Cavalo sentado no chão ao lado de uma mulher  De acordo com a médica veterinária do CETRAPA, Capitã Paula Cardoso, o treinamento dos animais inicia logo no seu nascimento. “Após anos de observação, identificamos que é de extrema importância que, desde o nascimento, crie-se um vínculo entre o homem e o animal.

Este tipo de treinamento chama-se imprinting, no qual o animal é acariciado, ergue-se os membros, administra-se vitaminas orais, ensinamento de subida e descida de caminhões. Posteriormente, quando o animal atinge os 3 anos, inicia-se a doma.” relata a capitã Paula Cardoso. Após a doma, é iniciado então o treinamento específico para o policiamento montado, no qual o animal irá se acostumar com as movimentações, barulhos de tiros, fogo e etc. 

 A Brigada Militar pela cultura e relevância do cavalo no seu contexto histórico, sempre utilizou o policiamento montado em sua rotina operacional. A Arma Cavalaria tem como patrono o Marechal Manoel Luiz Osório e, a partir da valorização da cavalaria, a corporação possui hoje quatro Polos Regionais de Policiamento Montado, definidos em: 1º Polo em Santa Maria no 1º RPMon, o 2º Polo em Sant'Ana do Livramento no 2º RPMon, o 3º Polo em Passo Fundo no 3º RPMon, e o 4º Polo em Porto Alegre no 4º RPMon, que passou a ter vinculação técnica com o pelotão de polícia montada do 12º Batalhão de Polícia Militar da cidade de Caxias do Sul. 

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Segundo o Comandante do 4º RPMon, Tenente-Coronel Cláudio de Azevedo Goggia, o emprego de uma tropa montada possui inúmeras vantagens, tais como: ostensividade, campo de visão ampliado, o efeito psicológico causado, poder repressivo, emprego em locais e terrenos variados, economia de efetivo e grande mobilidade. Abaixo você irá compreender como funciona cada vantagem citada:

Não existe um processo de policiamento com mais OSTENSIVIDADE do que o policial montado, pois, devido à sua projeção mais elevada, ele se torna visível para a população, multiplicando a sensação de segurança pela presença policial e servindo como inibidor de conduta ou ação criminosa.

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Da mesma forma, o cavalo permite um CAMPO DE VISÃO ampliado por encontrar-se em posição superior à dos demais populares, isso lhe possibilita ver e ser visto mesmo em distâncias maiores.

O EFEITO PSICOLÓGICO caracteriza uma das maiores vantagens do emprego do policiamento montado e tem dupla finalidade. Em ações repressivas, a imponência do animal leva todos a respeitarem sua atuação.

Por outro lado, o cavalo propicia uma aproximação com as pessoas de bem que buscam interagir com o animal, em especial as crianças que gostam de tocá-lo, o que traz uma maior confiança da população na tropa montada.  

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 O PODER REPRESSIVO em ações de choque é outra característica representada pela força da relação entre homem-cavalo e, por vezes, somente sua aproximação já é suficiente para evitar o confronto direto da tropa com o distúrbio civil. Conforme os manuais mais tradicionais, em tais situações, um policial militar a cavalo equivale a 10 policiais militares a pé.

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Não se deve esquecer que a dispersão é o objetivo principal nas operações de controle de distúrbios civis, e a tropa montada deve estar engajada nessa missão, explorando ao máximo o poder intimidador e desencorajador da presença do animal. A tropa de choque convencional necessita do apoio da cavalaria como um recurso diferenciado dentre os meios existentes para restabelecer a ordem em manifestações não pacíficas e tumultos de natureza variada. 

 A facilidade do animal em transpor obstáculos e transitar em locais de difícil acesso, bem como sua velocidade e flexibilidade, apresenta mais uma grande vantagem da tropa de cavalaria ante as demais formas de policiamento e propiciam seu EMPREGO EM LOCAIS E TERRENOS VARIADOS.

 A combinação da ostensividade, do efeito psicológico, do poder repressivo, da mobilidade e da flexibilidade, conferem ao patrulhamento montado uma característica toda especial que torna capaz de ampliar a sua área de responsabilidade e de segurança, com um número bem mais reduzido de patrulheiros em comparação com o efetivo a pé, possibilitando uma ECONOMIA DE EFETIVO.

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 Além de todos os fatores citados, a utilização do cavalo permite com que mesmo ao passo, o policial possa percorrer uma grande área de policiamento, sem desgaste algum, pois possui a característica de ter uma GRANDE MOBILIDADE.

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 De acordo com o Tenente-Coronel Goggia, na realização do policiamento montado, o cavalo e o policial devem formar um conjunto harmônico que ofereça conforto, eficiência e segurança no desenvolvimento das atividades.

“Ambos devem se sentir seguros com a ‘parceria’, sendo importante neste aspecto a instrução, preparação do patrulheiro montado e a utilização de um cavalo especificamente preparado para este fim.” relata o Tenente-Coronel Goggia.

O equino utilizado na segurança pública é da raça Brasileira de Hipismo, o qual possui as características desejáveis para um animal de policiamento, como: porte, estatura, docilidade, lealdade, franqueza, rusticidade, coragem entre outras. 

 Mas saiba que, assim como os policiais militares, os cavalos também se aposentam de suas atividades. Através de uma nota de instrução da Brigada Militar, ficou determinado que a idade limite ideal para o animal trabalhar é 18 anos. Os animais aposentados retornam dos regimentos para o CETRAPA, e lá ficam soltos em liberdade, continuam recebendo os mesmos cuidados médicos e alimentares, mas com a vida à campo, em liberdade. 

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 Após aposentados, os animais podem ser doados. A prioridade é que o donatário seja o policial que por tantos anos fez "dupla com este animal, mas caso não haja interesse, o cavalo pode ser doado para uma pessoa civil ou uma organização sem fins lucrativos, sendo que após a doação, o animal deve permanecer o resto da vida sob cuidados do donatário. O animal não pode ser vendido, doado para outra pessoa ou utilizado para trabalhos ou atividades que visem lucro.

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