Economia

Mercado Livre lamenta burocracia e desiste de empreendimento no RS

Segundo o Mercado Livre, as negociações com o governo gaúcho para desburocratizar a atuação de vendedores de fora do Rio Grande do Sul dentro do Estado não foram bem-sucedidas
19/06/2020 - 15h:41min - Fonte: Baguete, GaúchaZH, Giro de Gravataí

O Mercado Livre desistiu de construir o seu terceiro centro de distribuição no Brasil em Gravataí, na região metropolitana de Porto Alegre, devido a dificuldades impostas pelo modelo tributário do Rio Grande do Sul. A informação partiu de uma matéria do Giro de Gravataí, um jornal baseado na cidade, tendo o prefeito Marco Alba como fonte. 

O Mercado Livre confirmou a movimentação, em nota enviada à Zero Hora horas depois da matéria do Giro de Gravataí.

"O Mercado Livre confirma que, infelizmente, as negociações com o governo gaúcho para desburocratizar a atuação de vendedores de fora do Rio Grande do Sul dentro do estado resultaram infrutíferas até o momento", afirma a empresa na nota.

O Giro de Gravataí cravou que o destino do empreendimento será Santa Catarina, onde de fato o Mercado Livre teve reuniões com representantes do governo. A empresa ainda não confirma Santa Catarina como o novo destino.

"Já iniciamos conversas com outras localidades na região, onde identificamos um modelo de atuação mais favorável aos empreendedores que atuam em nosso marketplace", diz a nota.

A Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul não se manifestou sobre o tema. 

A desistência do Mercado Livre aconteceu apesar do fato da empresa já estar em processo de contratação de 500 funcionários em um primeiro momento e ter um alvará da prefeitura de Gravataí para um centro de distribuição de 50 mil metros quadrados.

anúncio da escolha de Gravataí foi feito em novembro de 2019, com uma previsão de abertura de operações já no primeiro trimestre de 2020, o que não aconteceu.

Segundo disse o Mercado Livre em março, ao anunciar a suspensão de contratações e obras em Gravataí, o problema seria que pelas regras tributárias gaúchas, cada vendedor que comercializa produtos pela plataforma teria de abrir uma filial no Rio Grande do Sul.

A questão tributária é complexa, uma vez que dentro do Mercado Livre a transação é feita entre o vendedor e o comprador, mas os produtos vendidos já estão previamente armazenados dentro do centro de distribuição.

Em uma matéria do Jornal do Comércio feita depois do anúncio da suspensão, a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, disseca a problemática tributária em detalhes e diz que estava negociando uma solução e foi surpreendida pela decisão do Mercado Livre, como provavelmente foi novamente supreendida.

Se as negociações continuaram até agora, três meses depois, ainda está por ser visto.

De qualquer forma, o Mercado Livre já operava dois dos centros de distribuição no Brasil, ambos nos arredores de São Paulo, o último aberto em 2019, além de em outros países da América Latina, todos localizações que pelo visto conseguiram viabilizar a existência tributária dos empreendimentos.

De acordo com o Giro de Gravataí, o estado de Santa Catarina também teria oferecido condições para a empresa, um dois maiores players de e-commerce na América Latina.

Fundado em 1999, o Mercado Livre tem mais de 274 milhões de usuários e mais de 12 milhões de vendedores em 18 países na região.

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