Política

Facebook e Instagram tiram do ar vídeo que Bolsonaro relaciona vacina da Covid à Aids

Esta é a primeira vez que o Facebook exclui uma live semanal do presidente Bolsonaro
Por: Eduardo Costa | Publicado: 25/10/2021 às 06:48 | Alterado: 31/10/2021 às 11:05
Esta é a primeira vez que o Facebook exclui uma live semanal do presidente Bolsonaro
Esta é a primeira vez que o Facebook exclui uma live semanal do presidente Bolsonaro

O Facebook e o Instagram excluíram na noite deste domingo (24/10/2021) uma live em que o presidente Jair Bolsonaro relaciona falsamente a vacina da Covid-19 com a Aids. A declaração mentirosa provocou repúdio de médicos e políticos. O vídeo, transmitido ao vivo na última quinta-feira, foi excluído nas duas plataformas digitais. 

Em nota, o Facebook afirmou que as políticas da plataforma “não permitem alegações de que as vacinas de covid-19 matam ou podem causar danos graves às pessoas.”

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O motivo da exclusão foram declarações de Bolsonaro que associaram falsamente as vacinas contra covid-19 ao risco de desenvolver aids. Esta foi a primeira vez que o Facebook excluiu uma live semanal de Bolsonaro.

O que disse Bolsonaro sobre a vacina da Covid-19 e a Aids?

No vídeo da última quinta-feira, Bolsonaro leu um texto afirmando que vacinados com as duas doses contra a covid-19 estariam desenvolvendo a “síndrome da imunodeficiência adquirida” – o nome oficial da aids – “mais rápido do que o previsto” e que tal conclusão era supostamente apoiada em “relatórios oficiais do governo do Reino Unido”.

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No entanto, não há estudos do governo do Reino Unido que mencionam tal risco. Entidades médicas e cientistas imediatamente desmentiram o presidente em redes sociais. A notícia falsa citada por Bolsonaro foi publicada originalmente pelos sites Stylo Urbano e Coletividade Evolutiva, este último um site antivacinas que já veiculou fake news ao longo da pandemia. Os dois sites se basearam numa página em inglês conhecida por espalhar teorias conspiratórias.

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O site Aos Fatos apontou que os textos divulgados por Stylo Urbano e Coletividade Evolutiva inseriram de maneira fraudulenta uma tabela que não existia em documentos oficiais das autoridades sanitárias do Reino Unido. Bolsonaro parece ter se dado conta na live sobre o potencial de sanções das redes sociais e se limitou a ler apenas o título e recomendar aos espectadores a procurarem ler o material.

“Não vou ler porque posso ter problemas com minha live.”

Não é a primeira vez que Bolsonaro menciona estudos inexistentes para embasar sua agenda negacionista. Em fevereiro, ele mencionou um “estudo de uma universidade alemã” para afirmar que o uso de máscaras são “prejudiciais a crianças”. No entanto, como a DW Brasil revelou, o tal “estudo” não passava de uma mera enquete online altamente distorcida. Da mesma forma, a notícia havia sido divulgada inicialmente por ativistas negacionistas antes de chegar ao presidente.

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