Polícia

Homem adotava gatos pela internet para depois matar os animais no Noroeste do RS

Criminoso confessou dois crimes à Polícia Civil; ativistas reúnem evidências de pelo menos 30 fatos semelhantes na região
Por: Elias Bielaski | Publicado: 22/10/2021 às 14:46 | Alterado: 29/10/2021 às 02:25 | Fonte: Com informações de GZH
Foto: Polícia Civil / Divulgação
Foto: Polícia Civil / Divulgação

Nesta semana, uma investigação realizada no Noroeste Gaúcho trouxe a tona um caso revoltante de crueldade contra animais. Em reportagem publicada pelo jornalista Cid Moreira, da GZH, foi exposto um esquema realizado por um homem, que comprava gatos pela internet para depois matar os animais.

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A Polícia Civil do município de Jóia investiga duas ocorrências na cidade. Segundo ativistas da causa animal, o número de crimes pode chegar a 30, contabilizando os municípios da região.

O criminoso responsável pelos atos de crueldade confessou dois crimes: ele adotava gatos pelas redes sociais para depois agredir e estrangular os bichos até a morte.

Segundo a reportagem, ele responde às acusações em liberdade, tendo em vista que não houve flagrante.

Ainda de acordo com o jornalista, um grupo de ativistas foi criado e reuniu evidências de que pelo menos 30 animais desapareceram apenas em 2021. Em todas as ocorrências, o mesmo homem é apontado como o culpado.

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Dentre todos os animais, apenas um sobreviveu: o gato Sargento, devolvido com dentes e patas quebradas dias após a adoação. O criminoso alegou que o animal caiu de uma escada.

A reportagem conversou com o delegado Ricardo Miron, da Delegacia Regional de Ijuí. Ele contou que um morador da região prestou depoimento após a polícia receber denúncia de maus-tratos.

Além de confessar a agressão ao gato Sargento, ele disse que havia estrangulado outro gato que era de Jóia.

As adoções eram feitas tanto com pessoas que criavam gatos em suas casas quanto em entidades de proteção. 

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O delegado conta que o investigado responde criminalmente pelos fatos, e que a Polícia segue colhendo depoimentos.

A equipe de investigação também busca, junto à delegacias da região, informações para saber se houve outras denúncias

Moradores que possuem relatos semelhantes podem fazer o registro pelo site da Polícia Civil ou liguem para o telefone 181.

"O inquérito apura principalmente casos de felinos machucados ou mortos. Agora, depois de ouvir o suspeito, estamos verificando se confirma em Ijuí, depois dele ter também confessado crime em Jóia. A investigação continua e, por enquanto, não temos outros casos confirmados", complementou o delegado.

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A descoberta

O caso começou a ser desvendado em agosto de 2021. De acordo com a GZH, ativistas passaram a desconfiar de pedidos de adoção em que o responsável não dava retorno. Eles entravam em contato para saber como estavam os animais encaminhados por eles, não obtendo respostas.

Logo depois disso, o mesmo homem que depôs na delegacia de Jóia nesta semana devolveu um gato três dias após ter adotado de uma organização não-governamental (ONG) de Santo Ângelo, também na região.

Ele alegou a uma das entidades que o animal havia caído de uma escada. O gato estava com patas e dentes quebrados.

Vários ativistas fizeram uma vaquinha e pagaram R$ 2,5 mil para o tratamento do gato Sargento, que tem cerca de cinco anos e que havia sido recolhido meses antes, assim como tratado, por uma entidade de proteção animal. Ele segue em recuperação em Santo Ângelo, com vários pinos nas patas. 

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Roséli Marasca / Arquivo Pessoal

Gato "Sargento" teve pernas e dentes quebrados. Roséli Marasca / Arquivo Pessoal

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A ativista Roséli Marasca, integrante de uma ONG na cidade, também falou com a reportagem da GZH: 

"Soubemos que ele alegou que fazia essas crueldades por prazer. Não consigo imaginar uma coisa dessas. A gente se empenha tanto, luta para salvar, faz de tudo para recuperar, e vem um ser destes e faz um negócio assim, um gatinho que é tão inofensivo. Ele ainda tinha preferência por filhotes e gatos mansos e não sabemos o motivo, até por siameses"

Nova lei proíbe sacrifícios

Uma nova lei proíbe o sacrifício de animais. Ela foi publicada nesta quinta-feira (21) no Diário Oficial e começa a valer daqui a quatro meses. A novidade determina que cães e gatos não podem ser mortos pelos órgãos de controle de zoonoses, canis públicos e estabelecimentos similares. 

Assista a reportagem e saiba mais:

Lei contra maus tratos

O presidente Jair Bolsonaro sancionou em setembro de 2020 a lei que aumenta as penas para quem maltratar cães e gatos. O crime pode ser punido com prisão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda, a novidade do projeto.

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Antes, a pena era de detenção de três meses a um ano, além de multa.

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