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Comunidade indígena Mbya Guarani promove vivência na aldeia Tkoa Yvy'ã Poty

A tribo localizada na Estrada do Bonito realiza o evento nos dias 7, 8, 9 e 10 de novembro
21/10/2019 - 09h:34min - Fonte:

AGUYJEVETE! Peju Porã'in Katu! (Sejam todos Bem Vindos)

A tribo Mya Guarani convida a todos para participarem de vivência na Aldeia Tekoa Yvy'ã Poty (Aldeia flor da Serra), rezando para Nhanderu, nosso Deus. Os moradores te convidam a celebrar a vida xondaros e xondarias (guerreiros e guerreiras) compartilhando bons momentos com amor e união, agradecendo e cultivando a natureza.

O evento acontece nos dias 7, 8, 9 e 10 de novembro na Aldeia que está localizada na Estrada do Bonito. Nos dias 7 e 8, o local será aberto para as crianças e escolas para falar sobre a cultura indígena Mbya Guarani. Já no sábado e domingo, haverá jogos indígenas com arcos e flechas, corrida da tora, dança e luta dos guerreiros Xondaros.

- Roda de conversa, troca de culturas
- Mutirão para a construção das casinhas tradicionais
- Alimentação coletiva
- Trilha na mata
- Cânticos e fogueira
- Roda de cachimbo e Rapé

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, mesa, árvore, atividades ao ar livre, comida e natureza

Os moradores terão artesanatos sagrados para a venda. Pedimos que tragam alimentos para fazer as comidas como: arroz, feijão, abóbora, batata doce, mandioca e muito mais.

Lembrando que você pode levar sua barraca, cobertores e instrumentos musicais. Clique aqui e confirme sua presença no evento. "Aguyjevete!"

Interessados em participar devem entrar em contato via Whatsapp com Cristiano Kuaray pelo número (51)991663253 ou com Tainá pelo número (54) 997121284.

 

ClicTv: “Nós respeitamos vocês e queremos o mesmo”

 

A Aldeia Yvy’ã Poty, em português “Flor da Serra”, vive há 5 anos na localidade de “Bonito”, 4º distrito de Camaquã. Antes disso, eles viveram na Santa Auta, por 2 anos. Atualmente são 17 famílias da etnia “Mbya Guarani”, que tem sua maior concentração no Sul do Brasil.

Cristiano Kuaray, filho de João, o cacique da aldeia, explica que “índio” não é a melhor forma de denomina-los, pois a palavra também significa “povo sem espírito, sem alma”. Eles pedem, então, que sejam chamados de indígenas. Segundo ele, no Brasil existem mais de 300 etnias indígenas com culturas e idiomas diferentes. O idioma que eles se comunicam é o Mbyá Guarani, ensinado desde os primeiros anos para as crianças.

A rotina na aldeia consiste na preservação da natureza e produção de alimento. Cada família tem a sua horta. Cristiano afirma que a aldeia não recebe nenhum valor do governo além do “bolsa família”. O artesanato é a principal fonte de sustento. Ilza Yva, de 25 anos, é uma das responsáveis pela arte. Ela fala pouco o português, mas explicou que os colares e as pulseiras feitas de miçangas fazem parte também da vestimenta das Guaranis, evidenciando sua cultura.

Para as crianças, a aldeia possui uma escola com dois professores indígenas e uma professora não indígena, onde são ensinados primeiramente pela língua Mbya Guarani e posteriormente aprendendo o português.

O preconceito na cidade ainda existe, segundo Kuaray, além de ataques nas redes sociais. “Algumas pessoas se incomodam com a gente lá. Eu costumo dizer que não é o índio que está na cidade, a cidade que veio até o índio. Fazem piada que somos índios modernos, só estamos vivendo de acordo com o presente, igual a todos. Não fazemos maldade, nem piada, nós respeitamos vocês e queremos o mesmo” declara.

O ano novo deles é comemorado em novembro, quando nascem as plantações. Nesta época fazem um evento aberto ao público, com trilhas, palestras, música, exposição de artesanatos e rezas. A crença é no Deus “Nhanderú”, cultuado através de uma reza que acontece semanalmente, quando os indígenas se reúnem em volta da fogueira. Para eles, a força da natureza é a responsável pela paz. Nhanderú é o criador de tudo e seu espirito é quem cuida. Não-indígenas também são aceitos nas rezas.

Nos últimos dias, a aldeia vem sofrendo invasões, roubos e vandalismo. Segundo eles, não é a primeira vez. Homens entraram durante a madrugada, alimentos já foram roubados e até animais machucados. Agora os guerreiros, como são chamados, se revezam em passar as noites em claro para vigiar o local. Apesar do medo, eles não pretendem bloquear a estrada. “Nosso principal objetivo é proteger uns aos outros”.

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