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ClicTv: Levados pelo trânsito: Familiares das vítimas falam sobre acidentes fatais dentro de Camaquã

"Perdi um pedaço meu, nada substitui. Pensei muitas vezes em desistir" relata Dila Leite, mãe do jovem Magaiver que faleceu aos 21 anos em 2009 após um acidente na Faixinha. Veja esse e outro relato em vídeo de camaquenses que perderam alguém no trânsito
05/09/2019 - 15h:47min - Fonte:

Magaiver Silveira Leite

O jovem Magaiver Silveira Leite, de 21 anos, havia acabado de passar no vestibular e estava prestes a se mudar para Pelotas para cursar Medicina, quando um acidente no dia 11 de março de 2009 interrompeu seus planos e tirou sua vida. A mãe, Dila Leite, conta que foi mais um dia comum em que antes de sair de casa pela manhã para ir ao colégio Oswaldo Aranha, onde atuava como diretora, acordou o filho e o alertou para que não se atrasasse para o trabalho. Magaiver trabalhava, na época, como office boy para uma indústria camaquense do ramo de arroz.

Mais tarde, por volta das 11h da manhã, Dila foi recebida por uma colega de trabalho eufórica que perguntava ao gritos "Tu que é a mãe do Magaiver? Ele sofreu um acidente na faixinha". Acompanhada de uma amiga, ela se dirigiu imediatamente para o local do acidente, onde já não estava mais ninguém além da Brigada Militar efetuando o registro. Ao chegar na cena, avistou rapidamente a moto de trabalho do filho, quebrada, em baixo de um caminhão. Era mesmo o Magaiver. Após isso, Dila se dirigiu ao hospital, onde o filho já recebia atendimento médico. "Fui o tempo todo pensando que ele tinha só quebrado um braço ou uma perna e que eu iria tirar uma licença para cuidar dele". Chegando lá, ela descobriu que Magaiver havia sofrido uma parada cardíaca e foi reanimado, mas teria de ser encaminhado ao bloco cirúrgico imediatamente. No caminho para o bloco cirúrgico, a segunda parada cardíaca. Foi quando o médico foi até Dila para dar a notícia que mudaria sua vida para sempre. "Mãe, infelizmente ele não resistiu".

De lá pra cá, 10 anos se passaram e a dor, segundo a mãe, nunca diminuiu. Para ocupar o tempo, ela trabalha e estuda. Já cursou quatro faculdades e se dedica dias e noites aos livros, tentando não pensar na falta do filho. As datas comemorativas são os piores dias, quando a falta dele fica ainda mais evidente. "É um pedaço de mim que se foi, nada substitui. Tenho várias faculdades, os melhores cargos, mas trocaria tudo pra estar de baixo da ponte com ele junto comigo", declara Dila.

O acidente, segundo ela, poderia ter sido evitado se as pessoas fossem mais conscientes no trânsito. "Foi uma fatalidade, lógico, mas temos que prestar atenção na direção, usar sinalização, cuidar os lados, se não vem ninguém. São vidas em jogo. Era um menino de 21 anos cheio de sonhos que foram arrancados".

Osmar Antônio da Silveira

Seu Osmar Antônio da Silveira, de 67 anos, era morador da Vila Nova. Já trabalhou como agricultor, pedreiro e atualmente estava aposentado. Saiu de casa no dia 26 de junho, para ir até a lotérica com a bicicleta que sempre usava para se locomover na cidade. O acidente aconteceu no cruzamento da avenida Olavo de Moraes com a rua Julio de Castilhos, quando seu Osmar colidiu com uma motocicleta Honda Biz de cor vermelha ao fazer a conversão na rua Julio de Castilhos.

Segundo testemunhas, ele ficou pelo menos 15 minutos caído no chão, em estado de choque e reclamando de fortes dores na cabeça, até a chegada de uma ambulância, que prestou atendimento e o conduziu até o Hospital Nossa Senhora Aparecida. Devido ao estado grave de saúde dele, teve que ser encaminhado ao HPS de Porto Alegre. Não acordou mais. Em Porto Alegre, ficou 22 dias em coma, até o dia 17 de julho, quando faleceu. O laudo aponta a causa da morte como "Choque neurogênico, traumatismo craniano encefálico grave".

Abalada, a neta Geislaine Silveira, fala da saudade, que só aumenta. "Perdemos minha vó há três anos, foi um choque. Ninguém estava preparado pra isso. Nem consegui dizer o último eu te amo para ele". O mais difícil, segundo ela, é chegar na casa do avô e não ter ele para recebê-la, como sempre fazia. Emocionada, relembra que a bicicleta era o 'xodó' de seu Osmar, que mesmo após comprar um carro, não deixou de usa-la sempre que podia para ir até o centro.

Geislaine faz um apelo para que os motoristas tenham mais cuidado no trânsito. "Nem na faixa de segurança temos certeza que seremos respeitados para chegar até o outro lado, hoje em dia tem que ficar muito atento a tudo".

Confira o vídeo:

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