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Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Por Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Pesquisador e poeta

Turismo religioso em Camaquã: sonho ou uma realidade plausível

Publicado: 09/04/2021 às 15:00 | Fonte: Catullo Fernandes

Turismo religioso em Camaquã:

sonho ou uma realidade plausível

 

Nesta semana chamou a atenção na imprensa e nas redes sociais uma reportagem sobre o projeto de construção da estátua do Cristo Protetor, localizada em Encantado, uma pequena cidade gaúcha no Vale do Taquari, com cerca de 25 mil habitantes. A ousada iniciativa bancada pela própria comunidade e um grupo de empresários terá um investimento de R$ 2 milhões.

O monumento, idealizado pelo artista Marcus Moura, tem 43 metros de altura, com estrutura de concreto e ferro, já é considerado o maior da América do Sul. Para se ter uma ideia da dimensão do projeto o Cristo Redentor do Rio de Janeiro mede 38m. O supervisor geral da obra, Artur Lopes de Souza, explica que um elevador será instalado no interior da estátua levando turistas para um mirante.

Contatado pela imprensa estadual o Ir. Édison Hüttner, professor de pós-graduação em História da PUCRS, destacou que a obra turística ajudará a solidificar a identidade daquela região. “É um grande marco para o Rio Grande do Sul e para o Brasil. E se une a essa simbologia de Cristo pelo mundo. É uma estátua de referência, com certeza”, resumiu.

Hüttner, conhecido por descobrir objetos sacros raros em várias cidades gaúchas, no ano de 2013 foi responsável pela descoberta da cruz missioneira em Camaquã, que permanecia anônima dentro da gruta onde são acendidas velas na Praça Santa Cruz. A Cruz Jesuítica, com  2,24 metros de altura e 26,4 Kg, que ornamentou o topo do campanário do templo da redução de São Miguel das Missões, veio parar em Camaquã (600 Km de distância) possivelmente por estar associada ao ciclo ervateiro dos séculos XVIII e XIX, quando carreteiros percorriam a chamada Rota da Erva-Mate.

Uma réplica da cruz jesuítica foi colocada na gruta da praça, enquanto a original, que hoje encontra-se no Museu Divino Alziro Beckel, bem poderia ganhar um monumento em espaço público, abrindo caminho paro o turismo religioso no Município. Esta peça sagrada, forjada há quase 300 anos e dada como perdida por historiadores, poderia tornar-se uma grande atração turística.

Na avaliação do professor Hüttner, a cruz aqui descoberta tem mais valor histórico e religioso do que muitos outros símbolos jesuíticos e guaranis. Fica aqui a sugestão, e o local poderia ser o espaço onde atualmente se encontra o busto do Cônego Luiz Walter Hanquet em frente à Igreja Matriz São João Batista. Imaginem um monumento, que a noite estaria iluminado, embelezando o Centro Histórico, e que no seu entorno recebesse um ajardinamento tendo como destaque a erva-mate, produto que foi a maior cultura de Camaquã em épocas passadas.

 

Clic Humor com Sabedoria:“O turismo é a arte de vender felicidade.” (Luciano Baetz)

 

Irmão Édison Hüttner com a cruz das Missões. Foto: Arquivo Criarte