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Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Por Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Pesquisador e poeta

A lua de outubro de Luana busca um lugar ao sol

Publicado: 14/10/2021 às 11:42 | Fonte: Catullo Fernandes

A cantora, compositora e publicitária camaquense formada pela PUCRS, Luana Vargas Fernandes, sempre esteve envolvida com arte e cultura desde a adolescência, quando recebeu o 1º lugar como melhor atriz no Festival SESI Descobrindo Talentos realizado em Guaíba/RS (2004), e venceu o I Acorde Piá de Camaquã - categoria juvenil, em 2006. Quanto a herança musical esta pode ter vindo do avô Meneghetti, que interpretava boleros mexicanos. Quando de sua passagem em 2012, Luana e a família cantaram de mãos dadas em seu leito de morte o clássico Malagueña salerosa.

A primeira aparição em público da futura artista, no entanto, se daria ainda na infância. Quando tinha somente seis anos, ela foi escolhida como oradora na formatura da pré-escola no colégio Manoel da Silva Pacheco, e simplesmente encantou a plateia de pais, alunos e professores. A cerimônia gravada em fita cassete revela que aquela menininha iria, como dizia no enorme texto que decorou com a ajuda da mãe e eterna companheira Guel Fernandes, galgar muitos degraus... 

Um tempo depois, aos treze anos, acompanhada pelo músico Adão Quevedo fez seu batismo de fogo ao cantar “O xote das meninas”, em um Cafezinho Poético da CAPOCAM, no Galles Restaurante. Sua desenvoltura desde tenra idade motivou seu ingresso na Sol Maior Academia de Música, da professora Marta Suppi, onde desenvolveu sua técnica vocal, com o professor e violonista Ricardo Cordeiro, que viria a se tornar seu principal parceiro musical.

A estreia nos palcos foi em 2007, em projeto idealizado pela ex-secretária da Cultura, Solange de Souza, com coordenação da educadora Fernanda Torino e direção musical de Ricardo Cordeiro, quando jovens cantores camaquenses protagonizaram um show, na Feira do Livro de Camaquã, dedicado aos 80 anos de nascimento de Tom Jobim. Na sequência, no ano seguinte, ela apresentou em alguns espaços noturnos da cidade o pocket show “Os 50 anos da Bossa Nova”.

No ano de 2009, ela celebrou os 18 anos, protagonizando seu primeiro show solo na Feira do Livro de Tapes e no Cine Coliseu em Camaquã, promovendo a estreia do single “FéMenina” (letra de seu pai Catullo Fernandes), que produziu estes e outros trabalhos da cantora. Em 2012 ela foi finalista do Palco PUCRS, e realizou a gravação ao vivo em DVD de seu primeiro trabalho autoral: “Luana Fernandes FéMenina”, na Casa de Cultura Mario Quintana (Porto Alegre). Em 2013 lançou este mesmo DVD, no Cine Teatro Coliseu em Camaquã. Neste ano venceu a etapa Sul, e ficou entre as finalistas do Fun Music Brasil, festival universitário de São Paulo, em evento realizado em Araras/SP.

Em 2014, a artista apresentou na Feira Municipal do Livro o show “Luana canta Camaquã”, e gravou a música tema do Sesquicentenário do Município. Em 2015 protagonizou o show “Lua de Outubro Couvert”, no recém inaugurado Teatro do Sesc Unidade Camaquã, e idealizou juntamente com o pesquisador Catullo Fernandes, a exposição de fotos antigas “Camaquã 150 anos de História”. No final do ano, acompanhada pelo poeta Álvaro Santestevan, promoveu a estreia do recital show “Acordes para Pessoa”, dentro do projeto “A poesia jogada num canto”.

Luana Fernandes, que no momento dirige no Instagram o espaço “Papo de Lua”, tem conquistado importantes prêmios em festivais, e vem recebendo diversas distinções em sua terra natal, entre elas, o Destaque Jovem Personalidades do Ano (2015), e o troféu Camaquã Terra Farroupilha - Consagração Pública, em 2019. Neste mesmo ano em outubro ela participou do retorno do Festival de Música de Porto Alegre, obtendo premiação com a canção autoral “Mulher África”, também premiada este ano em Paranavaí/PR. Em dezembro daquele ano foi escolhida Cantora 2019 - Prêmio Vitor Mateus Teixeira - outorgado pela Assembleia Legislativa do RS.

Atualmente, em virtude do trabalho publicitário ela reside entre Camaquã e Florianópolis/SC, de onde parte para algumas incursões musicais como ocorreu recentemente ao se apresentar em pousadas em Parati/RJ, e que já a aguardam para uma nova temporada. Tudo isto sem deixar de manter uma sinergia com Porto Alegre, onde vem conquistando a cena musical da capital, realizando shows em espaços culturais, com divulgação no youtube e diversas rádios, além de entrevistas na TV Educativa, Ulbra, Bandeirantes e RBS TV, com destaque para sua apresentação, em 2017, no Jornal do Almoço, e aparições recentes no Galpão Crioulo, em particular com o clipe “Pôr do sol no Guaíba” (Barbosa Lessa). Aliás em tributo ao ícone da cultura gaúcha ela é uma das intérpretes dos espetáculos culturais “Barbosa Lessa um canto de saudade”, e ainda “Garibaldi e Anita - Romance e Revolução”.

Entre as inúmeras reportagens na imprensa escrita (jornais e sites), destaque para a análise criteriosa de Juarez Fonseca, que em 2020, quando do lançamento de seu primeiro CD autoral, na coluna Paralelo 30, o conceituado crítico musical da Zero Hora sublinhou: Mesmo já tendo trajetória, Luana Fernandes é pura novidade. “Lua de Outubro” foi lançado em todas as plataformas streaming, e contou com um programa especial na FM Cultura de Porto Alegre. 

O álbum, que ainda não teve o esperado show de estreia, será apresentado de forma híbrida, no próximo dia 28 de outubro (quinta-feira) às 20 horas, no Teatro CHC Santa Casa - um espaço bem apropriado para estes tempos de pandemia. A cantora está comemorando neste mês de outubro seus 30 anos, e de quebra celebrando a maturidade musical. A libriana, praticante de ioga, transita pela MPB, pop e soul, entre outros gêneros que mergulham nestas vertentes - melodias mescladas com a poesia modernista nos versos que compõe - a Luana escritora também atua com crônicas postadas no Blog Feminino em Debate, e já publicou seus escritos em coletâneas da CAPOCAM. 

Independente de raça ou posicionamento social, Luana Fernandes não deixa de ser a voz de uma geração, nestes tempos de incertezas e descompromissos com a realidade, de velocidade e voracidade nas redes sociais. A força afro desta mulher-artista mantém-se intacta desde quando ainda tão jovem cantou:  Eu enfrento este jogo / Meu batom é cor de fogo / Se a rua é dos homens / Eva é meu codinome / E a força é feminina. 

Clic Sabedoria: “Nega, coloca tua cara no mundo. Natureza mandou cantar. Reza pro teu Orixá: Xangô. Mãe terra vai curar!” (Luana Fernandes)