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Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Por Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Pesquisador e poeta

AUD 35 anos - a origem de um projeto pioneiro no Brasil

Publicado: 23/09/2021 às 14:06 | Fonte: Catullo Fernandes

Neste final de semana, face à desaceleração nos casos de covid na cidade, a Barragem do Arroio Duro foi reaberta ao público. O parque natural, que desde os anos 1970, é um espaço de lazer e entretenimento para camaquenses e visitantes, foi totalmente revitalizado. O portal Clic Camaquã inclusive elaborou um mapa com os principais pontos do local, que está sendo distribuído gratuitamente. O momento, aliás, não poderia ser mais oportuno, pois recentemente no dia 02 de agosto de 1986 a Associação dos Usuários do Perímetro de Irrigação do Arroio Duro - AUD, mantedora da Barragem, completou 35 anos.

Esta história na verdade começa no final da década de 1940, quando o governo federal criou uma comissão especial para descobrir em todo o território nacional os pontos de maior potencial hídrico. Concluído o estudo, o único projeto levado adiante foi o que envolveu o Arroio Duro, em Camaquã/RS. O município, no entanto, apresenta realidade geográfica bem diferenciada, com serras para o lado Norte e várzeas ao Sul. Logo, o governo federal percebeu que, passando-se por esta região, o caminho seria bem mais curto para se chegar ao Porto de Rio Grande, a partir de Porto Alegre. Mas havia um problema - o Arroio Duro provocava intensas inundações a cada chuva mais forte.

Foi assim que, em 1952, o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS), dando continuidade aos planos elaborados por uma comissão especial, começou a dragagem do leito do Arroio Duro. Inicialmente foi feita a drenagem de uma área de 19 mil hectares, denominada de Banhado do Colégio (antigo Banhado do Duro), que se juntava a outros dois banhados - o Jacaré e o Santa Rita. Sob toda essa água estavam terras férteis, que até então não podiam ser exploradas, em virtude das constantes cheias.

Definido o curso do Arroio Duro, foi possível a sua canalização. Em 1959 começaram as obras da barragem e do projeto de irrigação do Arroio Duro, composto de um conjunto de canais de irrigação e drenagem, e obras complementares que constituíram o perímetro de irrigação do Arroio Duro. O projeto original previa um perímetro de 45 mil hectares. No entanto, as obras de melhoramento realizadas ao longo dos anos, agregadas à captação de água do Rio Camaquã, possibilitaram o aumento desse perímetro para 56 mil hectares. A imponente Barragem do Arroio Duro foi inaugurada em 1967, e durante este período o DNOS administrava o complexo. 

AUD registra 35 anos de operação

No ano de 1983, os usuários do projeto e outras entidades ligadas ao setor produtivo, fomentados pelo DNOS criaram a “Junta Consultiva”, o primeiro parlamento de apoio à gestão do projeto. Contudo, em 1985, um decreto do então presidente José Sarney proibiu os órgãos públicos de reajustar suas tarifas. Isso acabou criando um problema, pois a barragem poderia tornar-se deficitária. Um grupo de usuários, que estava organizado sob a forma de junta consultiva, foi chamado para opinar sobre a administração do projeto. 

Com a implantação do “plano cruzado”, em 1986, que proibia o reajuste das tarifas públicas, extinguiu-se a junta e um grupo de usuários fundou a AUD, com o objetivo inicial de complementar a tarifa de irrigação e auxiliar diretamente na operação e manutenção do perímetro irrigado. Essa foi a origem da AUD) inaugurada em 2 de agosto de 1986, há 35 anos.

O DNOS foi o gestor do projeto até 1990. Com a sua extinção pelo presidente Fernando Collor de Melo, a AUD reformulou seus estatutos e conveniou-se com o governo federal, e assumiu a administração do perímetro de irrigação do Arroio Duro, que perdura até os dias atuais. Este sistema, que integra o patrimônio da União, foi o primeiro a ser emancipado no País.

A AUD inaugurou sua sede própria em 1994, e atualmente é presidida pelo produtor rural Celso Bartz. A entidade reúne mais de 400 produtores de arroz, a maioria em pequenas propriedades, que produzem em média 7.000 Kg/ha. Além de assistência técnica para a irrigação, os associados recebem tecnologia operacional, informações meteorológicas através de um sistema de última geração, e ainda novos conhecimentos sobre o cultivo do arroz. A AUD faz questão de valorizar as belezas naturais da barragem investindo em campanhas promocionais e abrindo o parque para a comunidade.

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