Colunistas

Um Momento de Alegria ou Tristeza?

04/10/2019 - 16h:00min
Luis Claudio

Meu irmão Leandro esta semana pediu para eu enviar a ele alguma imagem de nossa mãe porque ele está com muitas saudades dela e que também queria escutar a sua voz. Então durante várias horas eu transferi para DVD e em seguida também para Pen-Drive muitas imagens em que ela aparece nas fitas antigas em VHS as quais eu tinha resgatado no apartamento do pai em Pelotas e em outras que tenho em meu acervo. Foram dias estranhos. 

Eu tive a sensação de que minha mãe estava comigo. Ver as imagens com ela alegre e feliz em situações corriqueiras no convívio familiar, foi muito agradável. Nestas gravações também tenho imagens de meus tios, avós e da mãe de minha filha que já faleceram. Se eu tivesse falecido no ano passado, dificilmente estas recordações seriam recuperadas e eu sou o que menos apareceu pelo fato da maioria das vezes estar como cinegrafista. A festa de aniversário dos 81 anos de meu avô Orobaldo Gonçalves da Silva, estava muito animada.

Apesar da avançada idade, meu avô sempre foi um homem ativo e saudável. Após cantarmos os parabéns ele fez um pequeno discurso agradecendo a presença de todos e dizendo em tom de brincadeira disse que duraria mais uns 3 ou 4 anos. Pois ele durou mais quatro anos e alguns meses.

Ele quase acertou a previsão. Mas teve uma imagem que eu nem lembrava mais que me deixou sem saber o que fazer. Teve um Natal lá pelos anos de 1994 ou 1995 que eu fui acompanhar meu ex-cunhado Fabiano Meirelles que tinha se separado da esposa, até o bairro do Areal em Pelotas para entregar um presente para seu filho Guilherme. Fomos na noite de 24 de dezembro. Apesar das imagens terem sido feito com pouca iluminação, dá para perceber a alegria do menino ao receber nossa visita.

Antes de ele receber a pequena bicicleta que seu pai tinha levado, a mãe de minha filha entregou-lhe um presente também que ele abriu com curiosidade. Fazia muito calor e ele estava usando apenas uma calça curta vermelha e na boca uma chupetinha azul clarinha. Ele era conduzido com carinho por seu pai na bicicleta enquanto sua mãe observada a cena. Esta filmagem somente eu assisti até hoje porque ficaram esquecidas em uma das fitas VHS.

O Guilherme cresceu e foi morar em Santa Catarina e faleceu num desastre de moto quando estava de carona com seu pai. Entrei em contato com minha filha e ela disse que quer as imagens e que com certeza a Dona Mariza, avó paterna, vai querer também. Eu não tenho o contato da mãe do Guilherme. Será que estas imagens trarão bons sentimentos ou trarão sofrimento? O peso sentimental de olhar imagens em movimento é muito maior do que observar uma fotografia.

O que posso até classificar como assustador é que nos próximos anos, outras e outras pessoas que aparecem naquelas cenas amadoras, irão uma a uma passando para o outro plano. O tempo...ah...o tempo. Que bom seria se chegássemos aos vinte anos e vivêssemos eternamente. Estou quase terminando meu trabalho de “ Indiana Jones, O Caçador da Arca das Imagens Perdidas”. Eu acredito que ainda terei mais algumas surpresas nas próximas fitas.

Tenho transferido muitas fitas para DVD e Pen-Drive com imagens de muitas famílias de Camaquã e trazendo de volta emoções vivídas e matando um pouco a saudade nas ilusões das imagens, daqueles que não estão mais entre nós.

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