Colunistas

Você vai estar lá?

18/03/2019 - 17h:28min
Luis Claudio

Em março de 2018 eu estava num lugar espetacular. Bombinhas em Santa Catarina foi minha praia. Em menos de 10 minutos consegui um emprego que muitos gostariam de ocupar. Fui contratado para trabalhar vendendo passeios em um Barco Temático Pirata. Meu barco era o Dragão Vermelho. Um dos mais bonitos que navegava nas águas calmas e quentes daquele cenário cinematográfico.

Como me destaquei bom vendedor, cai nas graças da dona Gioconda que era a Dona da embarcação tendo dela quase diariamente uma maçã verde para melhorar minha voz e, de vez em quando, ela me chamava para me oferecer um champanhe francês. Eu recebia um salário bom tendo ainda almoço e alojamento, ficando assim meu salário livre de despesas no final do mês. À noite eu ainda tocava violão no centro da pequena cidade brincando com os turistas dizendo que eu só cantava músicas pirateadas já que eu era pirata causando muitos risos e conquistando alguns fãs a cada noite que passava.

O trabalho era árduo. Durante o sono eu tinha espasmos de tão cansado que eu ia dormir. Mas minha intenção era ganhar o máximo de grana que eu pudesse e eu acabei levando o meu corpo ao limite. Eu lembro como se fosse hoje a minha alegria em saber que eu dois dias eu estaria terminando meu contrato e estaria retornando a Camaquã para a Páscoa.

Era madrugada e eu estava em sono profundo quando senti um soco à altura do estômago. Acordei-me assustado com as mãos apertando meu abdômen. Achei estranho aquela dor. Levantei muito preocupado com aquela dor que latejava sem parar bem na boca do estômago.

Tomei um analgésico que tinha na mochila e, com o sono perdido, fui lavar o fogão que estava muito sujo. Passou-se umas 2 ou 3 horas eu voltei à dormir. Pela manhã fui lavar o rosto e quando olhei no espelho eu não acreditei. Eu estava amarelo. À partir daquele momento começou a pior aventura que já vivi até o presente momento. Sem condições psicológicas alguma para trabalhar fui levado para o Pronto Socorro de Bombinhas e logo em seguida para Balneário Camboriú de Ambulância. De Balneário Camboriú segui para Itajaí onde passei horas infinitas aguardando um quarto e baixei naquele hospital. Um médico do Rio de Janeiro me atendeu e me deu a terrível notícia que fez tudo virar pó. Todas as minhas esperanças, minhas lembranças de viagens, projetos de vida se evaporaram naquele instante. Câncer. Este era o diagnóstico.

Voltei para Camaquã e em pouco tempo estava no Hospital de Clínicas de Porto Alegre para iniciar uma dolorosa luta por minha vida. A história é longa e triste.
Mas estou aqui vivo e bem. Escrevi este pequeno relato para destacar a importância do meu show na noite de 29 de março no Cine Teatro Coliseu. Nesta noite estará completando exatamente um ano de luta. Naquela data eu estava acabado. Angustiado. Sem forças.

Hoje terei o presente de passar uma páscoa livre, pois a páscoa do ano passado eu estava preso a uma cama com um pequeno corredor esperando a morte chegar. Eu lembro de ter ligado para meus irmãos pedindo para ser cremado porque para mim, tudo estava acabado.

Nesta noite de 29 de março de 2019 às 20h sexta-feira, eu quero comemorar com você a minha vida. Quero cantar as canções que me acompanham pelos bares de Camaquã e por alguns países que tive o prazer de visitar. No final de meu show quero descer do palco e abraçar a cada um que lá estiver. Será um presente do Criador eu olhar de cima do palco e ver rostos de amigos e de pessoas que me querem bem. Conto com tua presença!

deixe seu comentário