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Nelson Egon Geiger
Por Nelson Egon Geiger
Advogado

O ATUAL DESENCANTO DE SER BANCÁRIO: A História Não Contada do BB de Camaquã (V)

Publicado: 16/06/2021 às 16:41 | Fonte: Nelson Egon Geiger

Criado quando a Família Real ao Brasil, em 1808 o Banco do Brasil sofreu breve interrupção na atividade com uma “quebra” em 1829, no retorno do Rei para Portugal, que lhe confiscou os fundos. Reerguido em 1851 sob liderança do Barão de Mauá para ser o suporte financeiro da nação até a atualidade.

Face o austero sistema de órgãos públicos brasileiros, até 1965 o Banco somente admitia homens e exigia vestimenta a rigor: camisa social, gravata e casaco. A Portaria 1815 flexibilizou o uso de camisa de meia manga, social, sem a gravata no verão. Antes dela não interessava a estação. Nem o calor do Rio ou do Nordeste; era camisa de manga e gravata.

No começo dos anos 60 a “Vallisiery” lançou a camisa “volta ao mundo”, de tecido sintético. Bonita, elegante, porém quente. O Jairo deixava seu casaco no encosto da cadeira ao atender o balcão da CREAI. Atencioso ouvia explicações da clientela. Recebia documentos; carimbava cópias. Havia sempre almofada de tinta para tanto. Ouvindo um cliente colocou o cotovelo, sem perceber na carimbeira. A tinta subiu pela manga. Os colegas perceberam e deixaram. Tecido absorvente inutilizou a camisa.   

Serviam-se 2 cafezinhos durante à tarde; 2 pela manhã. Distribuídos antes no piso inferior, quando era servido na Carteira Agrícola já o Banco estava aberto. Atendendo aos clientes o do Jairo era colocado na sua mesa e ficava à espera que ele tivesse tempo. Vários dias um brincalhão colocou um bilhete ao lado: “cuspi nesse café”. Bravo o Jairo não tomava. No dia seguinte a mesma coisa. Um dia ele resolveu ganhar do gozador. Servido o café, tomou um gole e escreveu: “cuspi no meu café”. Quando ele teve tempo e voltou para outro gole estava escrito embaixo: “e eu também”.

No concurso de 1967 ingressaram as duas primeiras mulheres: Isabel Catarina e a Maria do Carmo e mais concursados do sexo masculino. Daí em diante difícil recordar todos os nomes; mas a agência crescia havendo necessidade de mais funcionários. O quadro aumentou. Até com funcionários cedidos de outras agências..

Além dos aprovados camaquenses vieram outros de fora. Certa época até três adidos: Nilton, Gentil e Guilhermino. Mais concursados: o Samuel, o Dante, o Luciano, o Borba. E transferidos como o Cruz.. Mais concursos seguintes; e transferências. Falarei em artigo subsequente. 

Nessa época o Moreira era chefe do Cadastro; o Sérgio da CREAI; o Napoleão da Carteira de Crédito e Conta Corrente. Em 1966 houve um inverno muito chuvoso. Um Inspetor veio de Minas Gerais para inspecionar os serviços. Deslocou-se de automóvel e trouxe a esposa numa viagem difícil. Chuvas copiosas dificultaram a travessia de Santa Catarina para cá o obrigando dar uma volta enorme. Chegou numa 6ª feira final de tarde, escuro, trabalhos encerrando, quando bateu na porta lateral e se identificou. Foi a última inspeção tranquila até aquela época. Depois conto mais. 

EDIÇÃO de 16 de junho de 2021.