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Nelson Egon Geiger
Por Nelson Egon Geiger
Advogado

OS ANOS DOURADOS – V (Epílogo)

Publicado: 23/03/2021 às 15:36 | Fonte: Nelson Egon Geiger

Surgiu a Jovem Guarda. Roberto Carlos já era o Rei (vai fazer 80 anos em 14 de abril. Ainda tinha o “Tremendão” Erasmo, a Vanusa, o Jair Rodrigues, Geraldo Vandré, a Martinha e o Ronie Von cantando “A Praça”.

Esse era o Mundo de então. Nas Américas, Europa, Ásia e Oceania a economia estava estabilizada. Apenas no continente Africano havia miséria. Exceto na África do Sul, apesar do absurdo “apartheid”.

No Brasil nessa fase dourada, mesmo parte das décadas de que se trata estando sob Regime Militar havia paz. Não existiam tumultos, pairava a tranqüilidade. No lado da convivência social ainda predominavam as antigas tradições: os adolescentes freqüentavam escolas, passeavam e namoravam.

As meninas ao completar 15 anos eram apresentadas à sociedade no tradicional “baile de debutantes”. Bailes em geral havia nos quatro grandes Clubes locais: o Comercial, que encerrou atividades no início dos anos 70; Alvorada; Honorato e Camaquense. Faziam-se jantares para casais. Recebiam-se orquestras e cantores famosos. A AABB, fundada em 1961 chegou a fazer, em seu ginásio coberto, bailes carnavalescos em 65 e 66.  

A Praça Donário Lopes era a principal. A Gen. Zeca Netto não existia. Ali era o campo de futebol do Atlético Camaquense, que foi adquirido pelo Município na 1ª administração do José Cândido para construir a magnífica praça inaugurada em 1971. A concentração dos jovens, famílias e crianças era na Donário Lopes.

Situada no centro da cidade com bancos, canteiros de flores, corredores calçados e toda arborizada encantava os visitantes que por aqui passassem. Principalmente sábados, domingos e feriados ficava cheia de pessoas. Na maioria os jovens. A atração desses dias era o Cinema Guarany, no prédio, até hoje existente ao lado da farmácia Panvel.

Encaixava-se exatamente na canção de Ronie Von, porque era: “a mesma praça; as mesmas flores, os mesmos bancos e o mesmo jardim”.Como na canção: “.. havia um bom velinho pipoqueiro”.

Era comum os jovens enamorados, como, é claro, também famílias com filhos pequenos, concentrarem-se na praça em frente ao cinema, para nos dias feriados, assistiram as “matinês” do Cine Guarany.

Na praça o nosso “bom velinho pipoqueiro” era um senhor que mantinha grande freguesia com sua carrocinha. Fazia uma pipoca excelente. E se intitulava: o doutor das pipocas. Tanto que prendia em volta de seu chapéu e da aba, recortes de papelão escrito “Doutor”.

Nessa história termino. Ocorreu o movimento Militar de 31 de março. Passados alguns dias do novo regime, haviam diversos generais colocados em cargos estratégicos da República, inclusive o Presidente Marechal Castelo Branco/ Pois então o “doutor” resolveu mudar de referência. Em sua carrocinha e em seu chapéu em cartazes de papelão passou a se designar: “General”. Bem, afinal, os militares estavam em alta.

EDIÇÃO de 22 de março de 2021.___.