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Nelson Egon Geiger
Por Nelson Egon Geiger
Advogado

OS ANOS DOURADOS - III

Publicado: 07/03/2021 às 17:27 | Fonte: Nelson Egon Geiger

Nos artigos anteriores escrevi que lembrava uma mini série da TV Globo levada ao ar em 1986 relativa aos anos 50. Também escrevi que, efetivamente essa e mais a década de 60 foram os anos dourados da paz, do amor, da economia de nosso Mundo. A despeito de alguns episódios que deixaram manchas de violência.

Registrei duas guerras expressivas: Coréia (1951-53) e Vietnã (1959-75). Citei as mortes dos Presidentes do Brasil (54) e dos EEUU (63) e do grande defensor das igualdades raciais (68). Referi a revolta dos estudantes franceses (68) e o grito de liberdade de Woodstock (69). Esqueci de mencionar e o faço agora de um filme avançado para a época: Barbarela, com Jane Fonda (1968). Na época nosso Prefeito, o saudoso Amarílio Borges Moreira assistira a película em Porto Alegre e me disse: “Nelsinho se puderes assiste; será um Mundo novo o contato extraterrestre”. 

Filme diferente de Sementes da Violência (Blackboard Jungle) que retratava a vida em uma “Hight Scholl” norte americana em 1954. Aí não se tratava de ficção, mas, da rebeldia crescente em escolas norte-americanas de alunos contra professores. Essa rebeldia terminou quando a juventude expôs suas idéias em Paris (68) e Woodstock (69).

Enquanto isso, exatamente na metade da vintena bafejada pelo Plano Marshall americano e o austero controle russo de seus países satélites a economia do Mundo vivia seus melhores anos com desaceleração da pobreza e do crescimento populacional irregular.

No Brasil na primeira década (1951-60) no governo de Getúlio Vargas que então voltara ao Palácio do Catete eleito esmagadoramente pelo eleitorado de todo Brasil continuava a economia calma deixada pelo antecessor (Gen. Eurico Dutra) até que problemas internos o levaram ao suicídio. Em 1955 se elegeu Juscelino Kubscheck de Oliveira, de Minas com Vice João Goulart, gaúcho, pela coligação PSD-PTB (antigos).

JK prometera um desenvolvimento de 50 anos em cinco (tempo de mandato presidencial na época). Com efeito, o impulso foi grande. Culminando com a construção de Brasília (em 04 anos). A novacap (sigla então usada) foi inaugurada em 21.04.1960, com majestosa festa programada pelo então Presidente, com transmissão radiofônica.

Não havia re-eleição para cargos executivos. Assim em 1960 (na verdade em 31.01.61) JK entregou o cargo. Seu candidato era o Gen. Henrique Teixeira Lott (meu 1º voto na vida com 19 anos).

Era a mesma coligação que elegera JK, mas, Lott perdeu a eleição para um novo político que surgia. Demagogo, populista, Janio Quadros venceu o pleito pela UDN considerada terceira força. Comia sanduíche em comícios, andava com a gravata torta, terno surrado, caspa nos ombros. Um Lula da vida. Porém culto, professor; não semi analfabeto como o último.

Aqui vai uma explicação: Jânio concorria só; não tinha vice em sua chapa. Na época a eleição de Vice em qualquer instância era desvinculada. Então como Vice-Presidente se elegeu, novamente, João Goulart, do PTB.

O resto nem é assunto para anos dourados. Após 6 meses de governo em um surto de ressaca Jânio renunciou mandando (pasmem) um “bilhetinho” para o Senado. Após algum movimento de resistência à sua posse, o Vice Jango (como era chamado) assumiu. Dois anos depois foi derrubado pelo Movimento Militar de 1964. Mas, isso não é assunto para nossos anos dourados. É desses que estou falando.

Nunca a humanidade desfrutava de tantos enlevos; de paz econômica. De tudo o amor pairava no ar. Do que continuo no próximo artigo, quando também será de bom alvitre citar a “espionagem” durante a guerra fria.

 

EDIÇÀO de 08 de março de 2021.___.