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Nelson Egon Geiger
Por Nelson Egon Geiger
Advogado

O CORAÇÃO DE PASCAL

Publicado: 25/11/2020 às 17:30 | Fonte: Nelson Egon Geiger

Blaise Pascal, um dos maiores pensadores cristão deixou uma frase que define como a humanidade deve utilizar sua razão: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Parto desse pensamento para falar do tumultuado caso da morte de um cliente do hiper mercado Carrefour da zona norte de Porto Alegre. O cidadão citado na mídia como Beto morreu no momento em que era retirado por seguranças do local sendo agredido; até a morte.

Nem é o caso de saber quem tinha razão ou não. Venho exatamente discutir o problema da razão. Há filmagens de mídias particulares (celulares) e de câmaras do local que apontam que a vítima teria discutido com algum funcionário do Carrefour. Em razão disso os seguranças ingressaram em ação. Levaram o cidadão para fora. Face reação (justa, diga-se de passagem) do mesmo revidaram. A agressão se tornou violenta. Derrubado Beto ao chão foi forçado contra o piso. Houve asfixia. Resultou em morte.

A asfixia, segundo a necropsia foi a causa da morte. Diversas pessoas se intrometeram. Outros funcionários do mercado. E a mídia jornalística destacou um senhor, mais idoso, que teria solicitado calma aos seguranças e informado para não se meter. Era o único certo. Pregou calma; paciência.

A razão nem sempre prevalece. E qual a razão correta? A da reação contra a vítima? A desta contra servidor ou servidora do mercado? A de outra funcionária que pretendeu até mesmo impedir filmagens. A dos seguranças que foram violentos? Por certo nenhuma dessas. A que deveria prevalecer seria a do cidadão mais idoso que pedia calma e não foi ouvido.

Ele depois teria prestado informações na Polícia e dele, certamente, o destaque da “calma nessa hora”. O que ninguém teve. Prevalecesse a razão do coração, ou seja, de que somos todos irmãos e de que violência gera mais violência, o resultado seria bem diferente. Beto não morreria. Os seguranças não estariam presos. Certa mídia informativa que quer levar o assunto para racismo, não encontraria eco. E as palavras do Vice Presidente da República, Gen. Hamilton Mourão não seriam criticadas. Tudo estaria em paz.

As razões do coração entendidas por Pascal prevaleceriam e todos continuariam como irmãos. Beto pediria desculpas para a empregada do mercado com o qual fora ríspido. Os seguranças pediriam prevalecesse a calma e o bom senso. O cidadãocontinuaria vivo. As associações que querem misturar racismo não teriam assunto. Nem a imprensa marrom. E antecedentes pessoais de Beto não estariam sendo divulgados. E todos estariam alegres. A alegria, a calma, a paciência nos levam ao bom convívio. Como ensinou o Apóstolo Paulo: “Alegrai-vos sempre no Senhor, outra vez digo: alegrai-vos”. (Fl 4.4).