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O MAL DO ISOLAMENTO ERRADO

24/07/2020 - 14h:40min
Nelson Egon Geiger

O Governador está errado. Aliás, começou errado quando no início da “pandemia” em nosso Estado promoveu o isolamento horizontal. Academias fechadas total exigiram que pessoas fizessem exercícios em casa. Corrida em casa; ginástica em casa. Não era necessário.

Isolamento, sim. Horizontal, não. O correto seria isolamento vertical. Cuidado com os grupos de risco mais frágeis. Alguns dos quais mais adiante constatados estatisticamente incorretos.

No programa Roda Viva, da RBS no dia 20 o Governador Eduardo Leite comprimido pelas perguntas procurou se esquivar de forma elegante. Palavras medidas, bem pronunciadas, respostas ponderadas. Como é o seu jeito: culto, educado e calmo. Não se precipita. Diferente do Presidente Jair Bolsonaro, que é explosivo, direto, deselegante, às vezes chutando “o pau da barraca”. Não, Eduardo Leite não é assim. Mas cometeu grande erro.

E qual esse erro? Escutar apenas técnicos em saúde, infectologistas e outros entendidos na matéria, que não têm a razão absoluta. Têm razão; sim, mas, parcial. Nunca total.

Esse foi o mal de governantes no Brasil. Ouvir apenas um lado: o lado técnico da infectologia. Sem ouvir e sem ponderar os outros lados. Os técnicos em economia, em sociologia, em distanciamento. O que era preciso, no início do problema (e isso nos leva a março, ou seja, 05 meses passados) era ouvir todos e promover uma forma racional de distancia e de isolamento. O que não houve. Apesar das insistências do Presidente Bolsonaro.

Os Governadores, sem exceção, culminaram em seguir apenas um lado: os técnicos da virulência e da infectologia. A voz dos demais segmentos foi desconsiderada. Tivessem usado o modelo da Alemanha (para citar apenas um dos eficientes) o isolamento seria parcial. Apenas o necessário. Que adianta o “lockdown” agora? Só vai acabar com o resto da economia do País; os empregos, já desmantelados, o comércio, a arrecadação pública e os parcos recursos do erário fragilizado.

Agora o Governador quer atirar a responsabilidade para os Prefeitos. Os Prefeitos não devem aceitar. O erro foi cometido, desde o início, pelo Governo do Estado que ora chora a falta de leitos de UTI. O agravamento da crise neste momento, então não levaria a crise econômica à situação que esta atingiu. Que culpa tem uma produção familiar de alimentos, entregues a domicílios, ou o moto boy para não poder trafegar após determinada hora? Isso transmite o “vírus”? Claro que não, o que pode transmitir está nas grandes aglomerações. Não a loja que funciona com alguns funcionários e admite alguns clientes todos com máscara, mantendo empregos. Pois 123 mil já os perderam. O erro é do Governo do Estado, não de Prefeitos que não merecem ver a crise atirada para eles.

 

EDIÇÃO de 22 de julho de 2020.____.

 

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