Colunistas

QUANDO CAEM AS MÁSCARAS

09/05/2020 - 08h:55min
Nelson Egon Geiger

A expressão “caiu a máscara” sempre serviu para apontar a falta de ética de políticos, funcionários, enfim pessoas que, por algum motivo, necessariamente, teriam de expressar, no rosto, seu caráter.

Agora, com o “corona vírus”, dita expressão ficou corriqueira. Todos e não apenas pessoas das quais se exige conduta ilibada têm de usarem máscara. Outro dia até o Ministro da Saúde, Nelson Teich, atrapalhou-se com a máscara quando dava entrevista pública. Até mesmo o Presidente Jair Bolsonaro enredou-se e quase deixou cair a sua.

Volto a professar minha admiração pela imprensa. Quando criança e depois adolescente a imprensa era apenas escrita ou radiofônica. Já existia a TV, é claro, mas não no Brasil. E em nosso Estado chegou apenas em 1957. Mídias eletrônicas, “internet”, celulares, “web” nem se imaginava. Veio muito tempo depois. Quando cheguei a Camaquã (1961) o telefone era de manivela. Em Porto Alegre, de onde vim, não; já era discado.

Por minha admiração pela imprensa, ouvi toda a Guerra da Coréia diariamente através do rádio, em noticiários. Na época o famoso “Repórter Esso”. OU nos cinemas, antes do filme, jornais filmados que traziam notícias de semanas anteriores. Enfim era o que se conhecia.

Diariamente leio a ZH; e vejo notícias pela “web”, emissoras de rádio ou televisão. Na ZH desta semana as colunas de Rosane Oliveira e Carolina Bahia, comentaram à tão esperada denúncia que o ex Ministro Sérgio Moro faria no STF. A primeira escreveu que “a montanha pariu um rato”. A segunda que o depoimento foi “pobre em provas”.  Isso significa que, em verdade, o ex Ministro teve sensações de que havia interesse velado na troca de comando da PF, mas não provou.

É o que digo sempre: política é para políticos. Quem não “tem jogo de cintura” que não se meta; poderá se dar mal. Exato o que aconteceu com o ex Ministro. Excelente Juiz, culto, capaz, corajoso, na sua função. Mas não devia ter renunciado a 22 anos de uma carreira brilhante que o levaria para o STF, para se tornar Ministro do Executivo. Cargo que pertence ao Presidente pela Constituição, do qual pode ser demitido a qualquer momento.

Na realidade ele pediu demissão. Entendendo que fora desprestigiado e não poderia ficar compactuando os interesses governamentais. Fosse político contornaria e acabaria fazendo do seu jeito. Continuaria no cargo e aos poucos colocaria quem desejava; sem atritar com o Presidente.

Nessa época de crise viral é preciso saber ocupar cargo político sem se queimar. Como exemplo: o Governador Eduardo Leite, em quem não votei. Mas, admito que tem demonstrado com eficiência saber se conduzir. Para não haver comentários, depois, de que sua máscara caiu. Exato quando nessa pandemia “caem máscaras” às turras.

 

EDIÇÃO de 08 de maio de 2020.

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