Colunistas

O DIÁLOGO

22/05/2019 - 13h:33min
Nelson Egon Geiger

           Quem diria. José Dirceu, o famigerado mentor do “mensalão” e Eduardo Cunha, ex-integrante da bancada do “baixo clero” na Câmara presos juntos na mesma cela, em Curitiba, por força da LAVA JATO. José Dirceu que estava em liberdade provisória teve suspenso o benefício e foi recolhido novamente. E colocado na mesma cela que Eduardo. 

            Por certo vão conversar sobre reminiscências do passado. Do tempo em que um deles, o famigerado mentor do PT era Chefe da Casa Civil, no primeiro mandato de LULA e o outro era Deputado Federal do PMDB pelo Rio de Janeiro, depois Presidente da Câmara. 

            Como Presidente da Casa Legislativa, já então todo poderoso chefe do “centrão”, o segundo recebeu pedido de “impeachment” contra a então Presidente Dilma Rousself e o levou até o final. Tirando o PT do Governo. Aí abriu caminho para, depois, ter seu mandato cassado pelo plenário. 

            Provavelmente as conversas mais incidirão sobre economia do que sobre política. Nessa nenhum dos dois sobreviveu. Naquela enriqueceram seus cofres e contas bancárias, inclusive no exterior, com o dinheiro público.

             Sim, público. Não porque tirado diretamente do Governo. Mas tirado indiretamente. Ou seja, pelas propinas recebidas de empresas contratantes com o Poder Federal. Em especial construtoras de obras públicas. As quais, para vencer licitações e/ou conseguir contratos, não tinham pudor em atender pedidos de políticos. Não apenas daqueles dois. Mas de muitos. Alguns até hoje sobrevivendo sem ser descobertos. Maravilha, não. 

            Voltemos aos prováveis colóquios, na prisão, dos dois ex-políticos. Sim, porque se acredita que nunca mais vão conseguir se eleger. Isto é se algum dia puderem novamente ser candidatos. Dificilmente também terão algum cargo de Ministro. Pois é, as conversas devem versar sobre economia. Não sobre doutrina econômica. Mas sobre as economias que ainda possuem escondidas e que não foram descobertas e aí não confiscadas pela Justiça. 

            Um deve dizer para o outro: “há há, eu tenho tanto na Ilha tal” (paraíso fiscal). O outro, comentar: “há há, eu coloquei na Suíça”. Mas a Suíça confisca, relaciona, bloqueia e entrega para o País lesado. Não é mais um país confiável para se colocar dinheiro com origem torpe.  

            Bem, devem comentar: e agora, o que faremos? Presos aqui, como gastar nossas grandes justas aquisições? Porque devem achar que foram justos tais ganhos em detrimento do povo. Talvez algum comente: “quem sabe vamos perguntar ao Temer quem são seus advogados para mantê-lo solto”. Em resumo, deve ser um diálogo de duas pessoas que, antes coligados, depois adversários, agora estão novamente juntos. Por circunstâncias que eles não queriam. Mas que o povo quer.

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