Colunistas

Notre Dame de Paris

18/04/2019 - 10h:18min
Nelson Egon Geiger

Verdadeiro desastre. Não da religião. Nem somente da França. Mas da história de todo o Mundo. Refiro-me ao incêndio que acometeu a Catedral de Notre Dame, em Paris, na última segunda-feira. Embora sem danos totais e, nem mesmo, que impeçam a reconstrução da parte atingida. 

            Independentemente de religião e a referida Igreja é do credo Católico, tive a oportunidade de visitá-la em três oportunidades. Da última faz quase quinze anos. Mas, em cada ocasião, o deslumbre não apenas do prédio, que por seu estilo gótico é sisudo; fechado, sem alegria. Mas da história. 

            Na realidade Notre Dame é mais importante para o mundo civilizado do que para o Cristianismo. Levou quase 200 anos sua construção, iniciada em 1.163, quando reinava Luiz VII e terminada em 1.345. Depois com grande acabamento e embelezamento com Luiz XIV, o “Rei Sol”. 

            Com o advento da Revolução Francesa de 1789 que culminou em interromper, na época, o regime monárquico ao executar, na guilhotina, o rei Luiz XVI, a Catedral sofreu o perigo de ser destruída na fase revolucionária conhecida como Culto da Razão, que pregava substituir o cristianismo. Mais tarde, em 1871 sofreu novo perigo sob a turbulência social da “comuna de Paris”, considerada a última guerra civil francesa. 

            Como se tudo não bastasse, na I Guerra Mundial de 1914/1918 e na II Guerra (1939/1945), Notre Dame correu o perigo de sofrer depredações. Em que pese na I Grande Guerra o território francês fosse menos atingido que na II, pois os artefatos explosivos e armas eram mais fracos. 

            Diferente na II Guerra com a França ocupada pelo exército de Hittler desde 1940 até 1944. Nesse ano, a partir da invasão aliada na Normandia, na madrugada do dia 06 de junho os soldados norte-americanos, ingleses, canadenses e franceses, estes sob comando do General Charles De Gaulle, rumaram para libertar Paris, o que aconteceu entre 19 e 25 de agosto. Dias que ocorreram muitos atritos, disparos, explosões. De um lado a resistência francesa protegendo a Catedral e os soldados alemãs tentando atingi-la. 

            O General alemão que comandava Paris, por ordem de Hittler deveria destruir a cidade. Mas próprios oficiais sob seu comando não cumpriram a ordem para “não destruir a cidade mais bonita do mundo”. O fato foi narrado de forma fenomenal no filme “Paris Está em Chamas”. 

            Mas, a maior projeção mundial da Catedralveio com o romance “Notre Dame de Paris”, do escritor francês Vitor Hugo, em 1831. Conta a história da cigana Esmeralda e do sineiro Quasímodo. Este corcunda, feio e surdo em razão das fortes badaladas dos sinos que ele impulsionava. Conta a tradição que o autor encontrou, em uma parede interna da igreja a palavra “fatalidade” lapidada em grego. E a partir dali escreveu a história que o cinema popularizou então com o nome de “O Corcunda de Notre Dame”. Esperemos pela recuperação desse patrimônio da humanidade.

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