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A queda de Renan

07/02/2019 - 18h:02min
Nelson Egon Geiger

Já ocorreu tarde. Deveria ter caído da Presidência do Senado Federal há muito tempo, posto que ele teve em três oportunidades, equivalendo seis anos. Valeu-e dessa presidência no tempo apontado em seu proveito. 

            O Senador Renan Calheiros euconheci quando Deputado Federal em 1985, ocasião em que fui trabalhar na Diretoria de Recursos Humanos do Banco do Brasil, em Brasília. Quando a mesma foi dirigida pelo bravo correligionário gaúcho, Ex-Prefeito, Ex-Deputado Federal, Ex-Secretário do Estado do Rio Grande do Sul, Ex-Presidente do Banrisul e Ex-Ministro dos Transportes, Odacir Klein. Homem de lisura e correção invejáveis. 

            Naquela época havia terminado o Regime Militar, com a eleição e depois posse de Tancredo Neves na Presidência da República que, na realidade foi substituída por José Sarney. Tancredo adoecera na véspera da posse, 15 de março de 1985 e faleceu em 21 de abril, substituído pelo Vice. O Governo se chamou “da Nova República” foi montado e entre tantos nomes, o particular amigo, então Presidente do PMDB do Estado, Odacir, levou-me para seu gabinete no Banco do Brasil. 

            Uma das minhas funções era o contato político entre o Gabinete de Klein e os diversos políticos que o procuravam, incluindo o Congresso Nacional. Seguido estava na Câmara, onde pela mão do ex-Deputado Aldo Fagundes conheci pessoalmente Ulysses Guimarães. Também fazia contato com o então Ministro da Agricultura, Pedro Simon. Enfim, vivia no meio do alto escalão governamental. 

            Pois Renan, com a redemocratização que permitiu todos partidos, filiou-se ao PCB. Era líder do partido que tinha poucos componentes. Do PCB, na primeira eleição que se seguiu, passou para o PRN, de Collor de Melo, de quem, depois foi líder na Câmara. 

            Com a queda de Collor e seu “impeachment” Renan foi para o PMDB, pelo qual voltou para a Câmara e depois Senador por Alagoas. E, desde então mostrou as unhas e começou a incomodar. Encostou-se nos Governos de FHC e depois nos dois do PT. Foi no início contra o impedimento de Dilma e depois a favor. Sempre dentro dos seus interesses; não do País. Iniciou a favor de Temmer e ao final o criticava. Na última eleição tendeu mais para a candidatura de Haddad.

 Como Presidente do Senado tomou um jato da força aérea e fazer implante de cabelo. Noutra época teve um filho fora do casamento e sofreu investigação do Senado. Renunciou para escapar da cassação. Voltou e, novamente se elegeu Senador. Foi de novo a Presidência do Senado. No Rio Grande do Sul, nunca mais se elegeria. Mas nas Alagoas, tudo é possível. Agora que tenteou de tudo para voltar ao cargo. Embora tarde, caiu.

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