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Nelson Egon Geiger
Por Nelson Egon Geiger
Advogado

A HISTÓRIA NÃO CONTADA DO BB DE CAMAQUÃ (XVII) - Um funcionário conduzindo o novo prefeito

Publicado: 13/01/2022 às 08:47
“Em 1963 ocorreram eleições municipais. O Prefeito então aqui eleito tinha relações diretas com o Presidente e resolveu  antes da posse ir até Brasília conseguir algumas verbas para Camaquã. Para tanto teve um direto auxílio de um funcionário do Banco”.

No ano da mudança de prédio para a esquina das Avenidas Presidente Vargas e Olavo Moras (1963) ocorreram eleições municipais no Rio Grande do Sul. Na época nem todos os estados tinham eleições no mesmo ano. A coincidência de mandatos foi efetuada no tempo do Regime Militar. Por isso os administradores eleitos aqui, entre outros estados como no Maranhão, tiveram o mandado prorrogado para coincidir as futuras eleições de prefeitos e vereadores no País inteiro.

Em 15 de novembro daquele venceu a dupla Hilson Scherer Dias e Amarílio Borges Moreira, do PTB. Pela coligação PSD, PL e UDN concorreram Silvio Luiz Pereira da Silva e Caro Rodrigues Mendes. O valoroso Silvio Luiz já tinha sido Prefeito; também seu Vice. Pois era o Vice do então Prefeito Alcides Francisco Dias. Naquele tempo Vice que não tivesse assumido nos últimos 06 meses podia concorrer novamente ao cargo, mesmo inexistindo reeleição.

Para apurar a eleição a Justiça Eleitoral convocou quase todos os funcionários do Banco que não pode dar expediente naqueles dois ou três dias que durou a contagem das cédulas. Ficaram poucos na agência: os fiscais da Carteira Agrícola, que trabalhavam a campo; o Sérgio Cléo Vezzani porque era cunhado de um Vereador que concorria à reeleição (Tasso Soares Perez); mais o Olavo Bittencourt e seu irmão Luiz Sebastião por terem filiação partidária e o Paulo Reis Dias.

A apuração ocorreu no Armazém da CIBRAZEM, que era na esquina das ruas Sete de Setembro e Bento Gonçalves, próximo a ponte, onde hoje existe uma pequena praça. A posse dos eleitos ocorreu em 31 de janeiro como era constitucional na época. 

Então em janeiro de 1964 o Prefeito eleito Hilson Dias resolveu viajar, às suas expensas e no seu próprio automóvel, até a Capital Federal para uma audiência com o Presidente João Goulart a fim de buscar recursos federais para o Município. Foi ele e a esposa, Teresa Sofia Dias, e levou como chofer o colega da Agência: Adão Sodré.Adão era particular amigo do Hilson. Exímio motorista. Máximo porquanto uma viagem de mais de 2.000 km e, em grande parte, por estradas não asfaltadas em certos pontos. Como no noroeste de Santa Cataria, oeste do Paraná e parte de Minas Gerais e Goiás. 

O Adão tirou férias no Banco e foi junto dividindo a estrada com o novo Prefeito em grande parte do caminho. A viagem, segundo ambos contaram no retorno fora um sucesso. Além de recebidos diretamente pelo Presidente da República e por alguns Ministérios, a promessa de destinação de recursos para Camaquã ficou selada.

Recursos prometidos e não concretizados. Porquanto assumindo em 31 de janeiro (1964), Hilson completou o segundo mês de administração quando sobreveio o Movimento Militar de 31 de março que depôs o Presidente João Goulart. Jango se afastou em 02 de abril e se exilou no Uruguai. Hilson cominou em ter seu mandato cassado em meados de abril, com suporte no Ato Institucional 2, decretado pelo Governo Militar. Episódios que impediram a consolidação dos pedidos de recursos efetuados ao Governo Federal naquela viagem de esperanças.

O Vice-Prefeito Dr. Amarílio Borges Moreira assumiu na vaga declarada do Prefeito e completou o mandato que teve a prorrogação de um ano terminando em 31.01.1969, quando o eleito em 15.11.1968, José Cândido de Godoy Netto assumiu o novo mandato.

EDIÇÃO  de 12 de janeiro de 2022.___.