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Nelson Egon Geiger
Por Nelson Egon Geiger
Advogado

A HISTÓRIA NÃO CONTADA DO BB DE CAMAQUÃ (XIII) - Um Helicóptero na Praça Donário Lopes -

Publicado: 03/11/2021 às 11:18 | Fonte: Nelson Geiger
“Um helicóptero descendo na esquina da Praça Donário Lopes, em frente à sinaleira, em pleno horário de trabalho e dia de semana. Fato presenciado por muitos camaquenses. E funcionários em meio à jornada de trabalho, nos idos de abril ou maio de 1964”.

Ao longo do tempo em que laborei na Agência local do Banco do Brasil ocorreram muitos fatos históricos que marcaram aquele tempo. Décadas de 1960, 70 e 80. Em meados dessa última, com a eleição de Tancredo Neves para Presidente da República na eleição indireta criada pelo Regime Militar fui transferido para Brasília.

Então houve fatos marcantes da história. Pouco antes de eu ser empossado no Banco o então Presidente Jânio Quadros renunciou. Dificuldades na posse do Vice, João Goulart culminaram no Episódio da Legalidade, que atrasou minha posse. Concluída essa tivemos, em seguida, a fundação da AABB que no último dia 24 completou 60 anos.

Dois anos depois, no novo prédio, onde hoje está o Banrisul, dia 22 de novembro de 1963, o Presidente americano John Kennedy foi assassinado em Dallas, notícia que o alto falante do Café Tropical informou na hora, enquanto trabalhávamos à tarde.

Em 31 de março de 1964 ocorreu a Intervenção Militar, que durou até 15 de março de 1985, com a posse do Vice José Sarney. Em junho fui empossado no Gabinete de Recursos Humanos do Banco, em Brasília, tendo Odacir Klein como Diretor. Por tal deixei de ser da agência daqui.

Pois bem exato no início do Regime Militar o fato objeto deste artigo. Trabalhando pela manhã com intervalo ao meio dia para almoço saímos da agência e, no mesmo momento, um enorme barulho no ar: um helicóptero sobrevoava o centro da cidade, e começou a descer exato ali.

Em diagonal com a agência do Banco estava a esquina da praça. Hoje considerada “esquina democrática”; em diagonal com o Banco, na esquerda o Café Tropical e na frente o Café Nacional. No centro o semáforo que até hoje se encontra no mesmo lugar.

Então o aparelho gradativamente diminuiu a altura e foi levemente descendo até fixar seu trem de aterrissagem na ponta da praça.

Curiosos e sem se saber o motivo os funcionários que saiam para o almoço e depois troca de turno aproximaram-se. Não era uma nave muito grande; nem muito nova. Continha insígnias oficiais. Dela desceram alguns militares fardados. Dentro de alguns minutos chegaram policiais conduzindo um homem vestido de terno.

Em seguida pelos comentários se ficou sabendo tratar-se do Promotor Público de São Lourenço do Sul e que naquele dia, estava substituindo no Foro local. Este se situava na esquina da Rua Bento Gonçalves com o início da Pres. Vargas, onde mais recente era uma livraria.

Os militares que vieram buscar para prestar um depoimento o agente Ministerial. Possível inquérito policial militar de interesse do Regime de então. Nunca soube o nome do Promotor e nem qualquer referência a que tenha sido algo grave. Presumo que simples investigação. 

Além de alguns funcionários, como Napoleão, Sérgio, João Máximo, Aldo, Pierre, Ubirajara, Romeu e outros que não lembro, pessoas que transitavam por ali naquela hora, que estavam nos dois cafés, outros passando de automóvel devem se lembrar do fato.

Não tenho lembrança de alguma outra ocasião um helicóptero parar naquele local. Sim no aeroporto, no Campo do Guarani, no CTG e outros espaços do Município. Ali, nenhuma outra vez. Somente naquela ocasião. Episódio ocorrido na longa história do Banco do Brasil em Camaquã. Hoje com o trânsito intenso, a movimentação maior e o emaranhado de fios de luz adicionados com “internet” TV a cabo, etc. o pouso seria impossível.


EDIÇÃO de 03 de novembro de 2021.__.