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O solo é vida

24/06/2019 - 15h:36min
Renato Zenker - Meio Ambiente

Falar sobre o solo sem referência a microrganismos que nele habitam é o mesmo que contar uma história sem falar dos atores. Peter Howard define o solo dessa maneira “ A terra não é matéria morta, torrão de inerte argila, ela é força viva, ela é corpo e coração. Ferida pela cobiça, responde generosamente aos bons cuidados. A terra é o grande operário vivo de Deus, que através dos tempos transforma incansavelmente a morte em vida; o estrume úmido, os restos secos, sejam cinzas, pasto ou palha, os ossos e os tecidos dos animais, o sangue do homem, ao toque mágico da terra, tudo muda, se agita e vive. Nem o menos pedaço de pão até os nossos dias, chegou à boca do homem, senão depois de sofrer a complexa alquimia e a maravilhosa força da terra”.

A atenção do produtor deve estar focado às três características do solo, ou seja, física, Química e Biológica. No momento que algo modificar esse equilíbrio vai influir negativamente na produtividade. Hoje vamos mostrar um pouco da importância de se manter e aumentar a vida do solo. A Engenheira Agrônoma e Professora Ana Maria Primavesi em sua obra “Manejo Ecológico do Solo”, trata com profundidade e mostra com detalhes esse assunto. Ana Maria foi professora da Universidade de Santa Maria e suas obras contribuem gigantescamente com o crescimento da Agricultura orgânica.

Para aumentar a vida do solo é fundamental aumentar a Matéria Orgânica que é o seu alimento. Esse processo pode ser através da conservação da palha na superfície ou sub superfície das lavouras ou utilizar adubação verde. O favorecimento da manutenção dos índices pode ser através da rotação de cultura e da cobertura verde ou seca do solo. Para manter a micro e macro vida no solo é fundamental a incorporação permanente de resíduos orgânicos.

Chamamos a atenção para a importância da palha porque na transformação da celulose pelos microrganismos, produzem os ácidos poliurônicos que é uma espécie de mucilagem. A Professora Ana Maria denomina essa substância como geleia bacteriana formadora dos grumos do solo. Essa mucilagem funciona como um cimento que forma os aglomerados primários e secundários do solo, que, por sua vez, melhoram a parte física do mesmo, principalmente na estruturação que ajuda na manutenção dos micros e macros poros que vão determinar a infiltração das águas das chuvas e a sua disposição para as plantas.

O mau manejo das lavouras e a erosão tem afetado diretamente a biota do solo e com o carregamento dos sedimentos baixa a fertilidade e diminui sensivelmente a matéria orgânica, influindo dramaticamente a vida do solo. Não podemos esquecer que toda adição química, quer sejam adubos sintéticos ou defensivos agrícolas devem ser feitos com cautela em função dessa dinâmica que envolve o equilíbrio biológico do solo.

Está aí um importante assunto que deve ser levado em conta, principalmente, nesse momento, que está se expandindo a agricultura orgânica em função das exigências do mercado, pois os consumidores procuram, cada vez mais, por produtos mais saudáveis. Este apelo por produtos orgânicos está sendo atendido com a adesão de produtores cooperativados. No próximo texto vamos focar no saneamento rural e urbano, continuem nos prestigiando.

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