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SUA MAJESTADE, A ÁRVORE II

06/05/2019 - 09h:27min
Renato Zenker - Meio Ambiente

No Texto anterior vimos a importância da árvore nas cidades, assim como a responsabilidade de todos os moradores e poder público de plantar e manter as mesmas nos locais indicados, ou seja, nas ruas, nas praças, e nas APPs. Nas áreas rurais a coisa não é diferente, lá as áreas arborizadas se revestem de outros valores, mas sempre como fundamentais para o meio ambiente. Para justificar o que afirmamos, vamos ver de que forma as áreas arborizadas influem para a produção agrícola, para o clima e para a conservação do solo.

Na área rural as florestas devem estar presentes, porque tem grande influência no ciclo hidrológico. Inicia com a retenção da água da chuva na copa e depois a água que chega a superfície, é retida por um tempo no farto material orgânico (folhas, Galhos e resíduos animais) sobreposto no solo. Isso aumenta a infiltração da água alimentando o lençol freático (mais superficial) e os aquíferos (águas profundas), esse processo favorece as vertentes que dão sustentação aos cursos d’águas.

As florestas influem também na umidade do ar, retenção do Carbono, produção de oxigênio e na aproximação das máximas e mínimas temperaturas, quer dizer, influem decisivamente no microclima. Para que essa ação seja efetiva as propriedades devem preservar pelo menos 20% de sua superfície com florestas. Existem trabalhos de pesquisa que dão informações que uma árvore de grande porte, com pelo menos 20 metros de copa, pode transferir do solo para a atmosfera cerca de 1.000 litros de água por dia, isso vai influir decisivamente no regime de chuvas.

Onde as florestas devem estar localizadas para oferecer com toda amplitude seus efeitos benéficos? - Nos topos dos morros, nas encostas com mais de 45º, nas áreas de influências das nascentes e nas margens de cursos de águas. Esses locais jamais deveriam ter sido desmatados, quando da época da colonização. Evidente que para a pequena propriedade se torna difícil manter essas áreas cobertas e improdutivas para a agricultura. Agora, essa questão poderá ser corrigida, tendo em vista que está surgindo o PSA (Pagamento por Serviços Ambientais, também chamado de Produtor de Água), liderado pela Agencia Nacional das Águas (ANA).

Com a maior infiltração da água no solo, não só oportuniza a constância do fluxo nas vertentes e cursos de água, como melhora sensivelmente o balanço hídrico do solo e em consequência, o desempenho das lavouras nas estiagens. Isso porque, o lençol freático oferece em níveis mais superficiais a água que é levada a superfície pelos poros do solo e também facilita a captura pelas raízes das plantas. Isso determina que as estiagens não se transformem em “secas” que afetam a produção. Hoje, com a ausência das florestas cada estiagem mais longa representa secas devastadoras.

Essa preocupação também começa a chegar no Governo Federal, que sinaliza com a transformação da floresta em Commodity, isto é, o produtor poderá comercializar o excedente de florestas da Área Legal. Permanecemos otimistas com essas duas condições de remuneração, só assim vamos cuidar de verdade do Meio Ambiente, sem onerar aqueles que detém as áreas destinadas a preservação, que no final beneficia a todos. No próximo texto vamos focar a agricultura familiar e sua importância, continuem nos prestigiando.

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