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Nelson Egon Geiger
Por Nelson Egon Geiger
Advogado

JÁ VI ESSE FILME: CLUBE MILITAR

Publicado: 05/05/2021 às 15:50 | Fonte: Nelson Egon Geiger

Quando Janio Quadros, após uma ressaca renunciou à Presidência em 25 de agosto de 1961, João Goulart, que era o Vice Presidente se encontrava na China, país comunista marxista sob comando de Mao Tsé Tung. Jango estava lá, no dia da renúncia em missão diplomática. Mas os militares brasileiros não gostaram. Pretenderam vetar Jango. Com intervenção de Tancredo Neves e outros políticos liberais foi efetuada um acordo, resultando na Emenda Parlamentarista. Jango assumiu.

A Emenda foi derrubada por plebiscito em janeiro de 63. Com a volta do Presidencialismo culminou em haver a intervenção Militar de 31 de março de 64, derrubando o Presidente. Instalou-se o Regime Militar que durou 21 anos e terminou em 15 de março de 1985.

O Clube participou de episódios importantes do Brasil, como abolição da escravatura, Proclamação da República e a campanha getulista do petróleo nosso, que levou para a criação da Petrobrás em 1953. Também forçou a deposição da ditadura Vargas, em 1945. E em manifestos contra o mesmo Getúlio, quando este tirou a própria vida em 14 de agosto de 1954. Enfim o Clube que, em princípio, extravasa o pensamento da classe militar esteve presente em diversos episódios brasileiros. 

Então como diz o título, eu já vi esse filme. Já vi em 1961 e 1964 manifestações do Clube Militar sobre fatos da vida política e administrativa brasileira em momentos que culminaram com rompimento da ordem constitucional. Pois bem, na semana passada o Clube emitiu uma nota.

A referida manifestação escrita se coloca indignada contra a CPI DO COVID-19, que foi instalada no Congresso Nacional. Não vou transcrever o manifesto. Nem me cabe fazer isso. Apenas saliento que o escrito refere de forma indireta, mas dando endereço, certos políticos e membros de instituições nacionais. Trata-se de um manifesto duro e crítico que reflete o pensamento da elite militar brasileira.

Refere o relator da CPI que, embora não nominado, é o Sen. Renan Calheiros, como “um dos campeões em denúncias por corrupção”. Sobre outro, ex Presidente da República, fala como “o bandido estimado”. Afirma que “o Brasil é a pátria do Evangelho, sendo natural que poder das traves fique intranqüilo”. Sobre Renan não faz a nota nenhuma injustiça.

O escrito afirma que “bastou e eleição de um Presidente que acredita em Deus para que todo o inferno se levantasse contra ele”. Ainda refere mais personalidades públicas. Entendo desnecessário espichar o assunto. Mas, durante minha existência posso afirmar: já vi esse filme.

EDIÇÃO de 05.05.2021.