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Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Por Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Pesquisador e poeta

Coisas estranhas que só acontecem em Camaquã! - Parte I

Publicado: 29/04/2021 às 17:53

No mês em que comemoramos os 157 anos da nossa Terra Farroupilha, independente do amor pela cidade - seja por parte dos camaquenses natos ou adotivos - este sentimento não pode ser confundido com omissão e motivo para não revelarmos coisas estranhas, que parecem acontecer somente em Camaquã. E não pensem que estes fatos muitas vezes até bizarros somente ocorriam no passado. Exemplos desta ordem, para perplexidade de espíritos mais elevados, continuam acontecendo nos dias atuais.

Os episódios são tantos, que certamente muitos camaquenses mais experientes de idade irão lembram outros inúmeros casos. Até mesmo o nome da cidade de origem indígena revela certo desconhecimento com a nossa história. Em vez de “rio do buraco das vespas”, que aprendemos na escola desde tenra idade, na verdade Ycabacuá, na língua tupi guarani, conforme o autor Antônio Cândido Silveira Pires seria “rio correntoso ou rio forte”, e outro autor, Clemenciano Barnasque, considera que “rio dos seios”, seria a tradução mais aproximada.

Outro aspecto que desperta paixões envolve a data de fundação da cidade, questão que já foi definida em 1979, mas que volta e meia retorna à pauta. Sem nenhum documento oficial que comprove 05 de maio de 1851, como data de fundação, por algum tempo o aniversário da cidade foi comemorado neste dia. Da mesma forma sem nenhuma comprovação a não ser por uma escritura comum de compra de terrenos, foi proclamado que o Provedor da Irmandade, Manoel da Silva Pacheco, fora o fundador de Camaquã, inclusive com busto e placas em praças e no seu túmulo.

Hoje sabe-se que tudo foi um grande equívoco, inclusive a celebração do Primeiro Centenário realizada em maio de 1951, na administração do Cel. Sylvio Luis Pereira da Silva. Na verdade ele assumiu o cargo de prefeito porque era o vice de Olavo Moraes, que suicidou-se em 1950, por motivos até hoje pouco conhecidos. O que ocorreu em 1951, parece ter sido uma maneira de elevar a autoestima do povo camaquense, e nada melhor do que um grande evento para animar os munícipes. E aliás, que festa! Mesmo na data errada foi a maior comemoração já realizada em Camaquã para celebrar o aniversário da cidade ou afirmar o poder do coronelismo, sabe-se lá! 

Já quando as comemorações são verdadeiras parece que as autoridades esquecem. Quando a Igreja São João Batista registrou 150 anos (2004) uma programação muito tímida foi realizada por parte das lideranças católicas e do poder público. O mesmo ocorreu em relação ao Sesquicentenário do Município (2014), e nos 150 anos do Poder Legislativo (2015), quando a Câmara Municipal de Vereadores sequer mencionou a data.

Com o conhecimento de que 19 de abril de 1864 é a data legítima de nossa emancipação política um grande trauma veio à tona. Com o golpe de 1964 (ano em que nasci), entre os cinco prefeitos cassados no Rio Grande do Sul estava o petebista Hilson Scherer Dias. Perceberam as datas? O presente de aniversário pelo Centenário do Município, portanto, foi a cassação de seu prefeito, um jovem de 39 anos, que com o slogan “Mocidade e idealismo a serviço de Camaquã”, derrotou a oligarquia rural da época liderada pelo Cel. Sylvio Luis. Realmente coisas estranhas que só acontecem em Camaquã.


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