Colunistas

REBOBINANDO AS ELEIÇÕES

17/11/2020 - 09h:00min
Nelson Egon Geiger

Em pequeno país Americano ocorreram eleições nos burgos. Hora de substituir os alcaides e os conselheiros do condado. Fizeram um filme. Sistema antigo. Passado para as telas através de projetores. Depois de projetado cada rolo, necessário rebobiná-lo.

O filme contava de um burgomestre excelente. Ao pedido da população concorreu a um novo mandado. Seu trabalho era reconhecido pelo povo, pois parcimonioso com o erário público. Dispensava o uso dos carros oficiais para usar seu próprio. Exigia dos seus assessores a economia do dinheiro dos impostos. Não gastava nada mais do que o necessário para fazer a máquina do burgo funcionar.

Nas novas eleições surgiram outros disputantes. Todos criticavam o alcaide entendendo que, ao criticá-lo obtinham a simpatia do povo. Ledo engano, pois o povo conhecia seu gestor. Queria que continuasse à frente do condado. Sabia que quando ele ia à capital da Província em busca de recursos nem utilizava a remuneração acessória de diárias e nem usava veículos públicos. Toda despesa fazia por sua conta. O povo sabia que os outros interessados no cargo não teriam esse desprendimento.

Um dos disputantes não tinha consistência ideológica. Tivera cargo por uma sigla; depois se mudou para outra. De sigla que defendia atividades de cunho socialista queria ser burgomestre sob proteção de sigla com visão capitalista. Outro disputante não tinha sigla forte para lhe dar sustento perante o Conselho do Condado. E o outro, ainda, era pior.

Juntou os opositores mais bagunceiros. Eram poucos, mas pensavam que eram muitos. Apenas porquanto queria ser o alcaide; só para dizer que o foi. Possivelmente nunca lera o Eclesiastes, do Rei Salomão que nove séculos antes de Cristo já alertava: “vaidade das vaidades, tudo é vaidade e correr atrás do vento”. Esse disputante apenas queria o poder do condado, pelo poder. Queria ser burgomestre para se proclamar um itinerante na área: hoje estou aqui; ontem estive lá; antes de ontem, acolá.

Em verdade tinha sido burgomestre em outro condado, que ficava próximo de outro, mas além do rio. Não deixou nenhuma saudade à população daquele lugar. A maioria do povo não mais queria saber dele. Passado tempo fora burgomestre do condado que ficava às margens do rio. Também lá os habitantes não o queriam mais na administração. Prometia o que nem poderia cumprir. Falava muito e pouco agia.

No filme o vaidoso queria ser burgomestre de um terceiro local por pura exibição. Mas o povo conhecia seus desmandos anteriores. E preferia seu alcaide atual: excelente administrador. Por ser verdadeiro o filme tanto agradou aos habitantes. Repassavam-no no cinema obrigando a rebobinar os rolos e reaquecer as máquinas, para reprisar o espetáculo da excelente vitória e estonteante derrota ocorrida naquele burgo.

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