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SALGANDO A TERRA

12/08/2020 - 16h:45min
Nelson Egon Geiger

O sal é o mais antigo condimento. O melhor, tempero para os alimentos, desde os primórdios da civilização. Seu uso se disseminou rápido também como conservante. Com ele os alimentos duravam (e duram) mais tempo sem deteriorar. Com ele, couro de animais nos primórdios da humanidade deu vestimenta aos homens (sentido genérico).

Mas o sal necessita ser bem dosado. A expressão uma pitada de sal define o uso do tempero mais antigo do mundo. Necessário, sim. Alimentos preparados com pouco sal restam insossos. Com excesso de sal ficam difícil de digerir além de prejudicar a saúda. Assim, o sal precisa ser usado com parcimônia por donas de casa, cozinheiras e peritos em alimentação. Os “chefs” e “gourmets” sabem disso.

Com efeito, sal o tempero mais conhecido da humanidade. Mas tem que ter a dosagem certa. Demais estraga; pouca quantidade não adianta. Tanto tal é verdade que os romanos chefiados por Cipião Emiliano, ao destruírem totalmente Cartago, no ano 146 a. C, ainda jogaram sal sobre as ruínas para que ali nunca mais houvesse nada.

A Coroa Portuguesa no Brasil colônia, em represália à Inconfidência Mineira enforcou Tiradentes (José Joaquim da Silva Xavier). Esquartejou-o e amaldiçoada seus descendentes até a 5ª geração. Sua casa foi destruída e o terreno encharcado de sal para que naquele local nada mais se criasse.

Então a dosagem de sal é algo que muito nos ensina. Não apenas nos alimentos, mas, na existência. Por tal, qualquer coisa mal dosada não fica eficiente. Remédio mal dosado, não faz efeito; exagerado pode prejudicar o usuário. Velocidade demais, da mesma forma. Não é diferente com o controle de uma doença pandêmica; de uma peste; ou uma população.

Esse o mal de nossos governantes atuais. A má dosagem para se fazer o distanciamento. Os métodos para evitar o contato e o contágio não deram bom resultado. Nada obstante que, estatisticamente, tenha havido menor quantidade de mortes nos mesmos meses deste ano, comparadas com 2019. A estatística em todo o Brasil, pelo Registro Civil englobado aponta 119.396 mortes entre janeiro/julho de 2019. No mesmo período de 2020 o total foi 113.475. Em resumo: sem pandemia morreram mais pessoas no País do que durante o ineficiente combate ao vírus. Fica no ar a pergunta que não quer calar: nossos governantes estão agindo certo, fechando o comércio, proibindo restaurantes, impedindo entregas de lanches após as 22 horas?

As empresas, inclusive pequenos comerciantes, já demitiram em nosso Estado mais de 113 empregados de carteira assinada. Resolveu o problema da pandemia? NÃO. Mas criou o problema da economia. Péssima dosagem. Governantes que seriam maus cozinheiros. Não sabem temperar.  

EDIÇÃO de 12 de agosto de 2020.___. 

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