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Adriano Kath o guardião da história nas ilhas do rio Camaquã

16/07/2020 - 15h:17min
Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História

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Enquanto assistimos o mundo ser invadido por negacionistas, desconstrutores ou inventores da história, além das mais diferentes espécimes de pseudo-historiadores, no distrito farroupilha, mais precisamente na Ilha Santo Antônio, encontramos um jovem perspicaz, que de forma voluntária vem se dedicando ao resgate de nossa história local.

O pesquisador e escultor Adriano Signorini Kath, atualmente mestrando em Memória Social e Bens Culturais, é o idealizador da exposição “Estuário do Rio Camaquã - Registros e Memórias”, que já foi apresentada no Memorial da Câmara de Vereadores e no Forte Zeca Netto.  

A mostra também foi destaque na Feira do Livro de Camaquã e em diversos eventos culturais sempre atraindo a curiosidade do público, especialmente porque o jovem pesquisador apresenta nestes espaços pequenas esculturas produzidas com o barro do próprio rio. Adriano Kath também é proprietário rural na região das ilhas do rio Camaquã, chão herdado de seus ancestrais, na localidade da Pacheca - 6º distrito.

A exposição, que tem forte apelo à preservação do meio ambiente, aborda a história e a geografia do lugar, que foi cenário da Revolução Farroupilha. A mostra, além de recuerdos dos protagonistas farrapos como Garibaldi e Bento Gonçalves, também retrata personalidades de diversas épocas, sem esquecer as pessoas mais simples - pescadores, parteiras, agricultores - que deixaram sua contribuição para a continuidade daquele passado de glórias.

Adriano Kath é autor de três fascículos, que esperam por edição, e que contam a história das ilhas do final do século XVIII aos dias atuais. Envolvido desde sua infância neste contexto cultural e histórico, que abraça a região do estuário do rio Camaquã, o pesquisador se vale do método biográfico, através do estudo de obras e documentos, além da tradição oral, com entrevistas de pessoas, que tiveram seus ancestrais vivendo nas diferentes ilhas - a principal delas a Ilha Santo Antônio - local onde Giuseppe Garibaldi comandou o estaleiro farroupilha, e foram construídos os barcos da frota farrapa, entre eles o Farroupilha e o Seival, símbolos de uma epopeia.

Na avaliação do autor cada ilha tem uma história peculiar, e seu objetivo, além de mostrar a Pacheca busca influenciar outros distritos a criarem suas próprias exposições temáticas. “As pessoas que encontro dividem comigo parte do passado de seus ancestrais, colonizadores que foram de grande valia no fomento da economia e sociedade camaquense, isto lá no século XVIII quando a atual região central do município inexistia. A estas pessoas a minha gratidão porque meu trabalho de pesquisa nasceu assim através da contribuição de cada indivíduo consciente de que uma comunidade cresce quando entende o seu passado por meio da preservação de suas memórias”, resume.

 

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