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Admirável mundo novo

09/01/2020 - 07h:39min
Nelson Egon Geiger

Estou referindo ao livro homônimo de Aldous Huxley. O personagem principal da obra, ali chamado de “Selvagem”, vivia repetindo: “Admirável Mundo Novo”. Era o mundo moderno; mundo de então. Diferente daquele da reserva da qual viera. Embora, segundo o livro ele fosse filho de pessoas do mundo novo. Nascido na reserva, onde foi criado, por acaso.

Não me cabe aqui contar a história. Máximo lembrar as previsões do autor que em 1932 falava sobre uma sociedade futurística. Englobando quase todo o planeta e de 600 anos após Ford (Henri Ford) ter lançado sua produção industrializada de veículos automotores.. A sociedade de então sofria “lavagem cerebral” que incluía a distribuição de drogas às populações, para aceitar as regras de vida e governo de seu novo tempo.

Comparado com o monumental 1984, de George Orwel, inglês como o outro, o admirável mundo novo tem uma grande diferença. No último citado o Poder era concentrado no autoritarismo violento do Grande Irmão. O “Big Brother” hoje folcloricamente usado pela TV. O Grande Irmão que tudo via e tudo controlava; inclusive fazendo, como naquele outro livro lavagem cerebral, mas, em forma de imposição; não de acordo.

Na obra de Huxley a administração era dividida por CEOS. Ou seja, com administradores específicos para cada área. Na de Orwel, por adesistas às tresloucadas maneiras do Grande Irmão. Como famigerados idealistas de esquerdas esquizofrênicas que pululam pelo mundo (atual) afora. Inclusive no Brasil. Embora o autor não se refira à esquerda em nenhum momento do livro. Posto que ele mesmo era admirador dessas idéias. Há quem diga que o livro criticava Stalin ou Hitler. O último já morto quando do lançamento do livro; o outro em pleno comando da URSS.Mas Orwel nunca admitiu.

O que emana das referidas obras futuristas é o controle; fiscalização; espionagem e perda da privacidade das pessoas. A “teletela” que espiava e controlava a vida das pessoas no 1984, dando ao Poder o direito de prender; torturar e até matar os dissidentes, é semelhante ao controle que a mídia atual permite sobre os atos, manifestações e andanças em nossos dias.

Aqui quero chegar. Em verdade a mídia que avançou através da radiodifusão dos anos 40 e 50, era incipiente. Novelas eram feitas com os artistas em frente aos microfones lendo os diálogos. Os sons suplementares produzidos por barulhos criados na hora. As notícias do que acontecia no mundo se viria saber após horas ou dias, pelos noticiários. Hoje acidentes, hecatombes, terrorismos e outras, transmitidas no mesmo momento.

A evolução tecnológica que permite através de um mero aparelho celular ver e falar com o mundo inteiro na mesma hora a cada dia se expande de forma geométrica. Não aritmética. Assim que o admirável mundo novo está bem próximo de nós.

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