Colunistas

Jovens que não se abraçam mais

31/07/2019 - 14h:52min
Luis Claudio

Meu filho, volta pra mim!

Com a visão de  ombros encolhidos e de mãos juntas para digitarem suas mensagens nos seus modernos celulares ,cheguei a conclusão que nossos jovens não nos abraçam mais. Uma geração de quase autômatos tomou conta de nosso mundo. Jovens que não nos ouvem mais. Jovens que não nos dão mais atenção.

Jovens que nos oferecem em porções generosas, desprezo e indiferença. Desculpem minha sinceridade, mas é o que eu sinto sempre que chego perto de um destes que esta dominado por seu celular ou por seu Tablet. Numa noite dessas, quando sai para  correr, tive o prazer de encontrar com um amigo que é médico pediatra.

Entre uma conversa e outra, perguntei a ele como esta a saúde de nossa juventude devido a essa dependência da internet, Facebook, e outros meios de comunicação e sedentarismo. Ele me disse que tem atendido inúmeras crianças e jovens com alta taxa de colesterol. Problemas que antigamente eram detectados apenas em pessoas adultas. Eles não se exercitam mais como os jovens da geração passada. Abordamos também sobre este comportamento que podemos denominar até de anti-social.

Ele me autorizou a comentar que teve que chamar severamente a atenção de suas filhas, me contando que não teve outra alternativa senão proibi-las de usarem os celulares quando estivessem em momentos de lazer. Normalmente, não sei se aconteceu com ele, quando fazemos isso, nossos filhos cruzam os braços e ai mesmo que, como forma de protesto, não nos dão atenção.

Muitos até desligam sob forte pressão, mas a indiferença é pior. Nossos filhos e nossos jovens estão esquecendo que nós, os pais, somos seus melhores amigos e estão nos trocando por milhares de “amigos virtuais” que nem sequer se falam pessoalmente. Falsos filósofos, falsos moralistas que não sabem o verdadeiro significado de uma amizade verdadeira. Até porque, amigo, a gente conta nos dedos de uma mão e ainda sobra dedo.

Este pensamento nossos avós já nos diziam. Contei a ele o caso do dono de uma Lan-House de Camaquã, o qual que não vou citar o nome, me contou que foi visitar seu filho e quando chegou encontrou-o em um computador, sua esposa estava em outro computador e suas duas netinhas estavam no sofá, cada uma com seu celular. Ele preocupado com a cena alertou o filho sobre a falta de diálogo na família, o filho estupidamente lhe disse para ele não se meter na sua vida.

Ele então convidou as netas para passearem no centro, elas disseram que não, que estavam conversando com amigas no celular. Ele tentou novamente oferecendo um sorvete, ai elas disseram que não queriam sorvete. Para uma criança não aceitar tomar um sorvete é porque algo muito poderoso a dominou. Como seria bom se esta coluna fosse lida na sala em voz alta pelos pais e os jovens emocionados terminassem de ouvir e mudassem de atitude.

Mas certamente eles estarão muito ocupados com coisas bem mais importantes à digitar. Amamos demais nossos filhos e como ficaríamos felizes se eles soubessem disso. Estamos com saudades de vocês crianças! Voltem para nosso mundo real e abram seus braços para nós novamente. Não temos condições de trocar nossas versões ou avançarmos nossas tecnologias, mas temos nosso carinho e amor sem medida para oferecer de graça todos os dias sem precisar fazer propagandas oferecendo condições especiais.

Conversem com a gente. Nós também temos muita coisa interessante para contar a vocês.Por favor,  acordem! Antes que seja tarde demais.

Obs.: Caso você também seja um adulto dominado pelo mundo virtual e também trata seu filho com indiferença por causa do mesmo problema, desconsidere este alerta.

 

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