Colunistas

Um Presente do Passado

27/07/2019 - 17h:19min
Luis Claudio

Eu caminhava entre muitas pessoas numa grande praça num lugar desconhecido. As pessoas eram estranhas. Tudo era estranho. Na realidade, eu nunca estive naquele lugar. Mas apesar de ser um lugar que eu jamais havia estado sem conhecer alguém ou me sentir familiarizado com o enorme espaço, algo que me deu uma felicidade infinita se apresentou em minha frente. Um menino nos seus quatro ou cinco anos de idade, com uma cabeleira bem pretinha e brilhante começou a correr na minha volta demonstrando muita alegria ao me encontrar entre aquela multidão de desconhecidos. Ele vestia uma roupa escura de lã. O casaquinho era de mangas longas, seu sorriso era doce e inocente. Com todo o carinho do mundo eu ergui aquele pequeno inocente em meus braços e dei-lhe um beijo no rosto e encostei aquele mesmo rosto corado e morno no meu e disse em voz alta:” Leandro, há quanto tempo eu não te vejo criança!” Algumas pessoas e uma senhora que passava bem ao meu lado, me olharam surpresos quando eu disse isso. Mas eles não sabiam que eu tinha viajado no tempo e que aquele era meu querido irmão Leandro que hoje é adulto e  pai de dois filhos. Eles não sabiam que aquele momento era sublime, fantástico, Excelsior, magnífico, extraordinário e por mais substantivos que eu tente definir aqui, não conseguirei expressar em palavras a explosão de emoções que senti naquele lugar misterioso. Imagine só! Eu com meus 53 anos ter o privilégio de voltar ao passado e encontrar meu irmãozinho querido no meio daquela multidão. Ou será que foi ele que me encontrou? Aquela sensação  divina durou pouco tempo. Acordei no quarto no qual eu dormia no Restaurante do Lago em Cambará do Sul. Por que é sempre assim? No melhor momento de nossos sonhos, acordamos. Eram aproximadamente 4h da madrugada. Na mesma hora gravei no watts emocionado este sonho maravilhoso para o Leandro.Que presente o Universo me deu. A sensação de ter encontrado meu irmão nos anos de 1980 naquele espaço de tempo foi sobrenatural. Demorei para retornar para um sono profundo.Tentei retornar ao mesmo sonho mas foi impossível. Eu recebi apenas uma pequena fagulha daquele filme  de lembranças que ficaram, não esquecidas, mas num lugar há quilômetros registrado em minha linha do tempo.Meu irmão está de aniversário no dia 10 de setembro e nem sei que idade ele completará.Tenho certeza que ele já está na casa dos quarenta. Sempre fui  desligado para números e meio afastado de minha família em função de morar longe deles. Mas isso não é sinônimo de desamor. Com este sonho eu em minhas filosofias duvidosas, acabei confirmando uma teoria que defendo. Nós vivemos um luto sempre que uma criança se torna adulto. Ela morre. Ela chega a seu fim quando crescs. Aquele menininho frágil, sorridente e franzino, nem se compara com o homem de quase dois metros de altura no qual se tornou meu irmão Leandro. Eu acho que este sonho foi provocado pelo fato de minha netinha de apenas 10 meses, ter ido com minha filha e genro morar em Santa Catarina na semana passada. Isso foi para me alertar que aquele bebê vai crescer longe de mim. E que vou perder muitos abraços e beijos nos próximos anos e que ela também vai crescer e que o lindo bebezinho que ela é hoje, vai ficar pouco tempo em meus braços. Como repetimos muitas vezes, o tempo não pára.

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