Colunistas

Batata-Doce era coisa de Pobre

26/05/2019 - 15h:05min
Luis Claudio

Quando eu ia para o colégio, dificilmente eu levava um lanche ou merenda, como ridiculamente chamávamos. Uma vez eu lembro de ter levado uma empada e um colega deu uma mordida e depois negou até o fim que não tinha sido ele. Mas o normal era levar um pedaço de pão com manteiga o qual eu comia escondido para meus colegas não verem porque eu sentia vergonha. Mas pior do que levar pão com manteiga era levar batata-doce. Quem levava um alimento desta categoria para a escola, estava escancarando seu atestado de pobreza.

Quando faltava pão em casa, tomávamos café preto com batata-doce. Um alimento tão barato e fácil de fazer, que parecia não ter qualquer teor nutritivo. A gente comia com a sensação de estar apenas se empanturrando para não sentir fome mais tarde. Quando a mãe tirava aquelas coisas esquisitas fumegando da panela, nós já sabíamos que seria batata-doce de manhã de tarde e à noite e, caso eu agüentasse a vergonha, levaria também de lanche para a escola. A gente comia com casca e tudo. Mas os tempos mudaram. Hoje, batata-doce é o alimento da hora para quem quiser ficar forte e saudável. Estão até levando para a academia.

Imaginem só, o cara bombadão depois de levantar os pesos e terminar sua série de exercícios hercúleos, abre sua bolsa e retira de dentro um pote com este manjar dos deuses e os outros atletas comentando: “Esse cara sabe se alimentar bem!”. Nem eu e nem meus colegas de aula daquela época poderíamos imaginar que num futuro distante depois do ano 2000 quando até imaginávamos que o mundo não chegasse a tanto, aquele alimento feio e discriminado virasse um elixir dos ricos significando força e energia, inclusive, fazendo tradicionais agricultores investirem no seu plantio.

Mas será um absurdo tremendo se um dia as pessoas entrarem na moda e resolverem comer calango com rapadura como fazem as pessoas pobres do interior do nordeste brasileiro onde a fome é implacável. Para quem não sabe, calango é aquela lagartixa que à noite caminha pelas paredes de muitas residências à procura de insetos. Dizem que com rapadura, é uma delícia e, quem sabe, pode ser um excelente anabolizante natural para quem busca um corpo perfeito.

Mas isso eu nunca comi e nem aconselho. Mas deixando a ironia de lado, podemos tirar uma grande lição de que, não é só porque um alimento é barato que ele não tem valor em nossa dieta. A natureza é perfeita e quase tudo o que ela produz, é benéfico para nossa saúde.

Luis Claudio Cezar e-mail: cezarmastter@yahoo.com.br

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