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O MAIOR JURI POPULAR DO RS

13/03/2019 - 15h:56min
Nelson Egon Geiger

       Finalmente estão sendo julgados os responsáveis pela morte do menino Bernardo Boldrini. Entre os quais, pasme-se, o próprio pai da criança, médico Leandro Boldrini. O menino morto em Três Passos, no nosso Estado há 05 anos, com a participação direta da madrasta, Graciele Ugulini e de uma amiga. Mais o irmão dessa última.

 

            O julgamento popular começou segunda-feira. Ao escrever este artigo estamos no terceiro dia. É possível que ainda termine mais adiante. Após o menino ter sido encontrado morto, escrevi neste mesmo jornal um artigo com título: “Dos Nardoni aos Boldrini, em 25.04.2014.Referindo a menina morta com participação da madrasta e, também do pai, em São Paulo

 

            Este fato que enxovalha os sentimentos humanos e familiares de nosso Estado quase repetiu o outro, ocorrido em São Paulo. Como aquele acontecera antes, os Nardoni já foram julgados e condenados há tempos. Até mesmo já estão em benefícios de cumprimento de pena comportada. Aqui, cujo resultado ainda não se conhece, os quatro réus estão presos há cerca de cinco anos. Ou seja, pouco tempo após o homicídio.

 

            Não vou entrar na discussão do resultado, embora tenha em minha visão que será certa a condenação. Porquanto, como aquele caso paulista, os responsáveis são conhecidos e, entre eles, aqui e lá, a madrasta da criança morta e o pai da mesma. Absurdo na natureza humana.

 

            No julgamento atual, há uma cobertura inédita da imprensa. Aliás, atualmente, difícil que júris não tenham a divulgação da mídia, em razão das possibilidades de via telefones celulares e canetas espiãs se poderem filmar e gravar diálogos.

 

            Isso não faz nenhum mal. Contrário senso faz bem até para os réus que serão julgados com o acompanhamento melhor da sociedade que, em última instância, é a julgadora de crimes dolosos contra a vida.

 

            Nada melhor em uma família que os filhos. São a continuação da vida. Abandonar uma criança, como Bernardo foi abandonado pelo pai, já que da madrasta tudo se admite, deve ser o maior pecado contra Deus. Pois as testemunhas ouvidas, entre as quais a Delegada de Polícia que concluiu o Inquérito e a vizinha que acolhia a criança em sua casa, deram conta, em público, do descaso máximo que o pai e sua companheira malévola deixavam Bernardo. O qual esperava carinho, atenção e alguém que substituísse sua mãe que se suicidara. E obteve uma morte traiçoeira e, possivelmente horrorosa por ter sido enterrado talvez ainda com vida, já que a injeção aplicada não garantiria sua morte, segundo a perícia. Aguardemos o resultado. Que não trará Bernardo de volta. Mas, poderá punir os que lhe impediram de “ser feliz”, como declarou a vizinha Juçara.

 

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