Colunistas

Sentindo na pele

07/09/2018 - 17h:28min
Eduardo Costa - Cotidiano

Domingo passado, dia 2 de setembro, minha namorada Camila e eu nos envolvemos em um acidente de trânsito. Foi por volta das 20 horas em um dos principais cruzamentos da cidade. Olavo Moraes com Júlio de Castilhos, no centro da cidade.

Ela estava no banco do carona e eu conduzia o carro pela preferencial, na avenida Olavo Moraes numa velocidade aproximada de 40 quilômetros. Chovia na hora em que um motorista de Esteio não parou na esquina da Júlio de Castilhos e atingiu a lateral do nosso veículo. Com o impacto, o carro rodou e a minha namorada precisou ser removida para o pronto socorro do Hospital Nossa Senhora Aparecida. Não ficou ferida gravemente.

Destaco o atendimento rápido e atencioso da equipe que estava na ambulância e do hospital Nossa Senhora Aparecida. Mas enquanto a Camila era atendida no hospital, eu tentava resolver o caso com o outro motorista, que aparentava estar embriagado.

Com o objetivo de registrar o acidente com a Brigada Militar, telefonei para o número 190, para solicitar a presença de um policial. A informação que recebi é a que não era com eles. Seria com os agentes de trânsito, os azulzinhos.

Rapidamente liguei para o telefone 118, que não é gratuito, e falei com um atendente. Expliquei a situação e a resposta que obtive é que eles não iriam atender esta ocorrência pois estavam focados na operação PSIU, de perturbação do sossego. Falei que a Brigada Militar tinha me dito que eram com eles (agentes de trânsito), mas o atendente afirmou que a equipe naquela noite não atenderia ocorrências de trânsito, apenas da operação PSIU. E que a Brigada Militar é que teria que me atender. “Fala com eles. É com eles”, afirmou.

Imediatamente liguei novamente para a Brigada Militar e disse o que os azulzinhos falaram. E vi acontecer o velho jogo de empurra-empurra. O Brigadiano que me atendeu disse que os agentes de trânsito não podem realizar estas operações de perturbação do sossego e que estaria informando o Ministério Público, já que os azulzinhos estão em desvio de função. Além disso, afirmou que a Brigada Militar de Camaquã durante as noites, possui apenas uma equipe de dois policiais em uma viatura para atender toda a área urbana e rural da cidade. Naquele momento, os policiais estavam em uma ocorrência na estrada do município vizinho de Arambaré. Ou seja, Camaquã estava sem guarnição naquele momento.

No meio desta confusão, apenas perguntei para o policial militar: “Mas meu amigo. O que eu faço agora?”. Ele me orientou a resolver o problema com o outro condutor e ir até a delegacia fazer o registro. Destaco que fui bem atendido pelo telefone, tanto pela BM quanto pelo setor de trânsito da prefeitura. Sei que a culpa não é dos profissionais. E sim, do sistema. A situação que indigna.

Tirei uma foto da posição dos carros e voltei a conversar com o motorista causador do acidente. Descobri que ele não tinha seguro. A sorte é que eu tinha seguro. Tiramos os carros do meio da via e fomos até a delegacia registrar o caso. Diz ele que vai pagar o prejuízo. Em seguida fui para o hospital acompanhar a Camila que foi para casa no mesmo dia, sem lesões graves.

Escrevo este artigo para desabafar este grave problema, de falta de infraestrutura da nossa Brigada Militar e falta de sintonia entre BM e Prefeitura, e principalmente mostrar o que passa dezenas de motoristas que se envolvem em acidentes de trânsito durante as noites em Camaquã. Por sorte consegui entrar em um consenso com o outro motorista. Acho por que sou uma pessoa calma. Agora imagina aqueles mais esquentadinhos. Escrevo para ver se as nossas autoridades melhoram o atendimento para o cidadão.

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