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Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Por Catullo Fernandes - Arte, Cultura e História
Pesquisador e poeta

Os 75 anos do Guarany FC - o alvi-azul camaquense

Publicado: 16/07/2021 às 17:31 | Fonte: Catullo Fernandes


O clube índio como era carinhosamente chamado, foi fundado em 16 de junho de 1946. A área para construção do futuro estádio foi doada por José Pio Dias, avô do ex-prefeito Hilson Scherer Dias, sendo que Joaquim Dias, pai de Hilson, foi o primeiro presidente. O nome do clube é uma referência ao cinema da família, o Cine Guarany, que localizava-se na Av. Benjamin Constant, hoje Presidente Vargas.

A origem do Guarani se deu através de uma dissidência de jogadores, que não tinham espaço no antigo Clube Atlético Camaquense, que na época disputava seus jogos em um campo junto ao Jockey Clube Camaquense. Este grupo decidiu formar uma nova equipe, e deram o nome de Guarany Futebol Clube. Segundo algumas fontes, eles se inspiraram no Guarany de Bagé, cidade onde prestavam o serviço militar obrigatório.

O grande rival do alvi-azul passou a ser o Clube Atlético Camaquense, que logo depois passou a jogar em um campo onde é a atual Praça Zeca Netto, e ostentava as cores vermelho e branco. Os uniformes dos dois times de certa forma remetiam ao clássico gaúcho e nacional - o GreNal. O nome do estádio do Guarany é uma homenagem ao ex-prefeito Cel. Sylvio Luis, ironicamente um adversário político da família Dias, e que nos anos 1960 foi grande benemérito do clube.

Mais tarde o alvi-azul teve na figura do radialista Luiz Renato Barboza um grande baluarte. Renatão como é conhecido devido ao futebol, participou da vida do Guarany FC durante 22 anos, onde começou como atleta amador em 1956, jogando como zagueiro, depois atuou como treinador e também foi presidente do clube índio em diferentes oportunidades. Em uma de suas gestões construiu o pavilhão social inaugurado, em 1988. No entanto, apesar desta história, o Guarany F.C. havia conquistado apenas um título importante em sua trajetória – a Copa Pedro Sirângelo, na década de 1970.

A safra de vitórias tem início em 1999, quando o desportista Italgani Mendes de Almeida assume o departamento de futebol e a presidência do clube, implantando um projeto para formação de novos jogadores e ativando as categorias de base através da Escolinha de Futebol. Com esta nova dinâmica, àquela diretoria projetou o Guarany, e no início dos anos 2000 o alvi-azul conquistou diversos títulos, entre eles o Campeonato Metropolitano Infantil, o Campeonato Gaúcho Junior C e a Copa Sul Sub 21.

O Guarany de Camaquã só se profissionalizou em 2010, ingressando em uma nova fase, e durante três anos participou da Segundona Gaúcha. Em 2012, sob a presidência de Luiz Gustavo Ferrão (Banana), o clube, não fosse uma manobra antidesportiva, poderia ter se classificado para a primeira divisão do Campeonato Gaúcho, ficando entre os quatro melhores do Estado, na Série B. No entanto no ano seguinte acabou rebaixado para a terceira divisão, e devido ao alto custo para manter o plantel de jogadores, resolveu não participar do campeonato, voltando a disputar competições profissionais somente em 2017.

Atualmente o Guarany, presidido por Antônio Marcus Soares, tem como principal meta o equilíbrio financeiro, e está investindo em escolinhas de futebol masculino e feminino. A nova direção retomou a antiga Copa Camaquã, em 2019, e devido à pandemia ainda não pode realizar a segunda edição da competição. A previsão é buscar investidores para que após o retorno do futebol novos projetos sejam executados, entre eles o investimento nas categorias de base.

O estádio Cel. Sylvio Luis, com capacidade para três mil expectadores e uma boa infraestrutura, é a segunda casa da fanática torcida do Guarany, que nos tempos atuais, além de alvi-azul e equipe índia, também é chamado de bugre pelos profissionais da imprensa.

Clic Humor com Sabedoria: “Se todas as batalhas dos homens se dessem apenas nos campos de futebol, quão belas seriam as guerras.” (Augusto Branco)