Colunistas

Brasília e o resto

03/07/2018 - 15h:01min
Alvorino Osvaldt - Controle Geral

Há uma tese de que o isolamento geográfico de Brasília seja uma das causas da desconexão entre o Planalto Central e o que acontece no resto do país. Sua criação elaborada para tornar mais visível o poder central, saída da cabeça de  Oscar Niemeyer, faz com que a nossa capital seja o berço ideal para a criação de burocratas e asseclas. Será que esses seres nocivos se criariam da mesma forma em ambientes menos acolhedores? Mais expostos à pressão popular, teriam nossos líderes mais pudor ao conduzir seus planos e tramoias, evitando assim constrangimentos e embaraços na sua vida cotidiana? É impossível saber. E mesmo se fosse viável realizar um teste como esse – e fosse apoiada a tese de que o isolamento é nocivo, mesmo assim não teríamos chances de mudança, pois seria justamente contra os interesses dos que decidem. Diante da realidade apresentada, a impressão que temos nos últimos meses é a de que Brasília não está mais isolada. Está em outra dimensão e de lá dita as leis para o país. O  jornal o “Estadão” em seu editorial de sexta, dia 29, revela o tamanho da traição. Mostra o saque aos cofres públicos que os congressistas estão perpetrando, aproveitando a fraqueza do Executivo e a distração do país com a Copa e as festas de junho. Bilhões em benefícios, na forma de renúncias fiscais, estão sendo concedidos a grupos de interesse.  Dane-se a periclitante situação fiscal das contas públicas e o risco que isso traz à recuperação econômica do país. A essa gente pouco importa o que vai acontecer no futuro, desde que estejam devidamente eleitos e agradando a quem lhes convém. E a Alta Corte: O STF, defensor da Constituição e da segurança jurídica, perdeu a vergonha. Ministros soltam bandidos condenados, revelando para quem realmente trabalham. O Governo e sua turma então só fazem se defender das denúncias que lhe são imputadas. Assim, estamos nas mãos desses gângsteres instalados no Distrito Federal. 

E por aqui?

Sem recursos para qualquer iniciativa ou obra estamos a ver navios, vendo a banda passar, sem ânimo para qualquer obra, vendo os buracos tomar conta da cidade. Aliás, a distração dos munícipes com a Copa do Mundo e com as eleições que se aproximam são o momento propício para o marasmo que vivemos. É tempo de inverno, e rigoroso pelo que vemos, com a falta de iniciativa a qual estamos expostos nos últimos meses. Será que sobreviveremos aos próximos tempos? Quem viver, verá!

Prá você pensar:

“Paz e harmonia: eis a verdadeira riqueza de uma família”. (Benjamin Franklin)

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