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Meirelles aposta em nova queda de juros

31/03/2018 - 23h:04min
Mateus Lopes - Nissul Renault

A inflação baixa em fevereiro consolidou a aposta de que o Banco Central deve cortar o juro mais uma vez. Economistas preveem que a taxa Selic será reduzida de 6,75% para 6,50% na próxima semana no que deve ser o último movimento de queda do ciclo iniciado em outubro de 2016. Até o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, entrou no debate ao citar que o juro pode cair mais uma vez.

Pesquisa divulgada pelo BC mostra que, pela primeira vez, a maioria dos analistas passou a prever que o ciclo de queda dos juros não acabou e a taxa deve ter a 12a queda em 21 de março. A expectativa foi consolidada após a divulgação do IPCA de fevereiro, que ficou em 0,32%. Com esse resultado, o primeiro bimestre de 2018 registrou a menor inflação - de 0,61% - desde a adoção do Plano Real.

Para analistas, os números permitem ao Comitê de Política Monetária (Copom) incentivar a atividade econômica com nova redução dos juros sem ameaçar a trajetória da inflação. Depois desse corte, a expectativa é que a Selic fique estacionada até o fim do ano.

O debate sobre os rumos do juro atraiu até o ministro da Fazenda e possível candidato à Presidência, Henrique Meirelles. “A taxa Selic já está no nível mais baixo da história e pode cair mais uma vez. Vamos aguardar a decisão do Banco Central”, disse Meirelles em evento na capital mato-grossense. Normalmente avesso aos comentários sobre a trajetória dos juros,
por ser este um assunto do BC, Meirelles, que foi presidente do Banco Central no governo Lula, tem de decidir até abril se será candidato ao Planalto.

A confiança de que o BC deve reduzir o juro novamente está na trajetória da inflação que indica números abaixo do centro da meta, de 4,5%. O grupo ouvido pelo BC reduziu pela sexta semana consecutiva a previsão de inflação para 2018 e espera 3,67%. Antes dessa sequência de quedas, previa IPCA de 3,95%. A onda desinflacionária também começa a afetar 2019, e a expectativa para o próximo ano caiu e está em 4,20%.

Economistas do Itaú BBA explicam que a inflação segue bem comportada porque ainda há sinais da inércia inflacionária de 2017, o câmbio continua relativamente estável, há influência positiva da safra agrícola, bons níveis nos estoques, previsões de inflação ancoradas e hiato negativo do produto.

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, tentou conter previsões otimistas. “Parece que inflação se estabilizou no nível de 3% e deve voltar à meta”, disse em evento em São Paulo. Apesar da percepção de estabilidade, o próprio presidente do BC reconheceu que “a inflação começou (o ano) abaixo do esperado”.

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